Pé Caído: Investigação de Neuropatia Periférica e Hanseníase

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2022

Enunciado

Paciente 33 anos comparece ao ambulatório relatando perda do movimento de dorsiflexão do pé direito há 30 dias. Nega traumas. Nos antecedentes: Nega uso de medicamentos e quadros infecciosos nos últimos 90 dias. Refere casos de hanseníase na família. Fez primeira dose de vacina AstraZeneca há 60 dias. Ao exame: Força Zero para dorsiflexão do pé direito e ausência de lesões dermatológicas. Nesse caso:

Alternativas

  1. A) A principal hipótese nesse caso é neuropatia periférica reacional pelo uso da vacina independente do teste de sensibilidade cutânea, dispensando-se inclusive a propedêutica armada.
  2. B) Deve-se proceder com avaliação dermatoneurológica minunciosa e se teste de sensibilidade cutânea ao longo nervo fibular direito for normal, deve-se solicitar eletroneuromiografia para investigar padrão e possível etiologia da neuropatia.
  3. C) Deve-se solicitar baciloscopia do esfregaço intradérmico para descartar o diagnóstico de hanseníase.
  4. D) Encaminhar de imediato para o neurologista seria a conduta mais acertada do médico da família por se tratar de um quadro compatível com neuropatia periférica sem lesões dermatológicas.
  5. E) Ainda que o teste de sensibilidade cutâneo esteja normal ao longo do tegumento, o diagnóstico de hanseníase neural é o mais provável.

Pérola Clínica

Pé caído + história familiar hanseníase → Avaliar sensibilidade cutânea + eletroneuromiografia para neuropatia.

Resumo-Chave

A perda de dorsiflexão do pé (pé caído) é um sinal de neuropatia periférica, que pode ter diversas causas. Em um contexto de história familiar de hanseníase, mesmo sem lesões dermatológicas visíveis, a hanseníase neural pura deve ser considerada. A avaliação dermatoneurológica e a eletroneuromiografia são essenciais para o diagnóstico diferencial e etiológico.

Contexto Educacional

A perda do movimento de dorsiflexão do pé, conhecida como 'pé caído', é um sinal clínico importante de disfunção do nervo fibular (peroneal) ou de suas raízes nervosas (L5). As causas são variadas, incluindo compressão nervosa, trauma, doenças sistêmicas, e neuropatias infecciosas ou inflamatórias. No contexto de história familiar de hanseníase, a hanseníase neural pura deve ser fortemente considerada, mesmo na ausência de lesões dermatológicas. A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo *Mycobacterium leprae*, que tem tropismo por nervos periféricos e pele. A forma neural pura afeta predominantemente os nervos, levando a déficits sensitivos e motores, sem as típicas lesões cutâneas, tornando o diagnóstico mais desafiador. A investigação deve incluir uma avaliação dermatoneurológica minuciosa, com teste de sensibilidade cutânea ao longo do trajeto dos nervos, buscando áreas de hipoestesia ou anestesia. A eletroneuromiografia é essencial para confirmar a neuropatia, determinar seu tipo (axonopatia ou desmielinização), localização e extensão, e auxiliar no diagnóstico diferencial. Embora a vacina AstraZeneca possa estar associada a eventos neurológicos raros, como a Síndrome de Guillain-Barré, a história familiar de hanseníase e a apresentação de mononeuropatia focal direcionam a investigação para causas mais específicas, como a hanseníase neural.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de pé caído (perda de dorsiflexão do pé)?

O pé caído pode ser causado por lesões do nervo fibular comum (peroneal), radiculopatia L5, lesões do plexo lombossacral, doenças neuromusculares ou neuropatias periféricas generalizadas, exigindo uma investigação abrangente.

Como a hanseníase neural pura se manifesta clinicamente?

A hanseníase neural pura se manifesta principalmente com neuropatia periférica, como perda de sensibilidade e força muscular, sem lesões cutâneas visíveis. Atinge preferencialmente nervos periféricos superficiais, tornando o diagnóstico um desafio.

Qual o papel da eletroneuromiografia na investigação de neuropatias?

A eletroneuromiografia é fundamental para confirmar a presença de neuropatia, determinar seu padrão (axonopatia, desmielinização), sua distribuição (mononeuropatia, polineuropatia) e sua gravidade, auxiliando na localização da lesão e no diagnóstico etiológico.

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