Neuropatia Óptica Traumática: Diagnóstico e Sinais Clínicos

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

São características da neuropatia óptica traumática associada a perda visual grave:

Alternativas

  1. A) A maioria dos casos apresenta recuperação visual completa após o uso de corticoides sistêmicos
  2. B) Palidez da cabeça do nervo óptico no dia seguinte ao trauma
  3. C) Defeito pupilar aferente no olho do trauma
  4. D) Preservação da camada de fibras nervosas da retina peripapilar nas fases mais tardias após o trauma

Pérola Clínica

Trauma de nervo óptico → Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR) imediato com fundo de olho normal.

Resumo-Chave

Na fase aguda da neuropatia óptica traumática, o exame de fundo de olho é tipicamente normal; o diagnóstico baseia-se na perda visual e na presença obrigatória de DPAR.

Contexto Educacional

A neuropatia óptica traumática (NOT) pode ser direta (laceração do nervo) ou indireta (transmissão de força de impacto ao canal óptico). O diagnóstico é eminentemente clínico em pacientes conscientes, baseando-se na tríade: trauma craniofacial, baixa acuidade visual e DPAR. É fundamental que o médico emergencista e o oftalmologista reconheçam que um fundo de olho normal não exclui lesão grave do nervo óptico. A monitorização da camada de fibras nervosas da retina (CFNR) por OCT mostrará redução da espessura apenas após algumas semanas, coincidindo com o surgimento da palidez papilar.

Perguntas Frequentes

O que é o Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR)?

Também conhecido como pupila de Marcus Gunn, o DPAR ocorre quando há uma lesão assimétrica nas vias aferentes pupilares (nervo óptico ou retina grave). Ao iluminar o olho afetado, ambas as pupilas se contraem menos do que quando o olho sadio é iluminado, dando a impressão de 'dilatação paradoxal' no teste de lanterna alternada.

Por que o disco óptico parece normal logo após o trauma?

Porque a lesão na neuropatia óptica traumática indireta geralmente ocorre no canal óptico (retrobulbar). Os axônios são danificados, mas leva semanas para que a degeneração retrógrada atinja a cabeça do nervo óptico e se manifeste como palidez ou atrofia visível ao oftalmoscópio.

Qual o papel dos corticoides na neuropatia óptica traumática?

O uso de megadoses de corticoides (protocolo NASCIS) é controverso. Estudos como o CRASH sugeriram aumento da mortalidade em traumas cranianos associados, e o estudo International Optic Nerve Trauma Study não mostrou benefício claro da corticoterapia ou descompressão cirúrgica sobre a observação.

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