CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Podemos afirmar sobre a neuropatia óptica traumática:
NOT → Perda visual súbita pós-trauma; TC normal não exclui diagnóstico clínico.
A neuropatia óptica traumática (NOT) indireta ocorre pela transmissão de forças de impacto ao nervo, geralmente no canal óptico, causando déficit visual imediato mesmo sem sinais externos de trauma.
A neuropatia óptica traumática (NOT) representa uma causa grave de cegueira irreversível após traumatismos craniofaciais. A fisiopatologia envolve o cisalhamento de axônios e a interrupção do suprimento sanguíneo pial. É fundamental que o médico examine o reflexo fotomotor, pois o DPAR pode ser a única evidência objetiva de lesão do nervo em pacientes com nível de consciência reduzido. A fundoscopia inicial costuma ser normal, com a atrofia óptica desenvolvendo-se apenas após 4 a 6 semanas.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de trauma (geralmente frontal ou malar), baixa acuidade visual súbita e presença de defeito pupilar aferente relativo (DPAR). Exames de imagem como a TC de órbita são úteis para avaliar fraturas do canal óptico ou compressão por hematomas, mas uma TC normal não descarta a lesão axonal por cisalhamento ou isquemia microvascular.
O trauma direto envolve a penetração da órbita por objetos estranhos ou fragmentos ósseos que laceram o nervo. O trauma indireto, mais comum, ocorre quando a energia de um impacto craniofacial é transmitida ao nervo óptico, frequentemente em sua porção intracanalicular, levando a edema, isquemia e morte neuronal sem ruptura física macroscópica imediata.
O prognóstico é variável e muitas vezes reservado. Casos com perda visual total (ausência de percepção luminosa) no momento do impacto apresentam menores chances de recuperação. O uso de corticosteroides em altas doses ou descompressão cirúrgica do canal óptico são controversos na literatura, com estudos como o International Optic Nerve Trauma Study não demonstrando benefício claro sobre a observação.
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