CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Sobre a neuropatia óptica tóxica por uso de etambutol é correto afirmar:
Etambutol → Neuropatia óptica tóxica bilateral, simétrica e escotoma cecocentral (dose-dependente).
O etambutol causa toxicidade mitocondrial nas células ganglionares, resultando em perda visual subaguda, bilateral e simétrica com defeitos de campo centrais.
O etambutol é um agente bacteriostático fundamental no tratamento da tuberculose, mas sua toxicidade ocular é um efeito colateral bem documentado e dose-dependente (geralmente >15mg/kg/dia). Ele atua como um quelante de cobre, interferindo na cadeia de transporte de elétrons mitocondrial dos axônios do nervo óptico. O diagnóstico baseia-se na redução da acuidade visual, perda da visão de cores e presença de escotomas centrais ou cecocentrais na perimetria computadorizada. O exame de fundo de olho inicial pode ser normal, evoluindo para palidez papilar temporal se a droga não for suspensa. O rastreio oftalmológico mensal é recomendado para pacientes em uso de altas doses ou com insuficiência renal.
O padrão clássico é uma perda visual subaguda, indolor, bilateral e simétrica. No campo visual, observa-se tipicamente um escotoma central ou cecocentral. A visão de cores (especialmente verde-vermelho) costuma ser afetada precocemente.
Na maioria dos casos, a interrupção imediata da droga leva à recuperação gradual da visão em semanas ou meses. No entanto, se a toxicidade for grave ou detectada tardiamente, a atrofia óptica e a perda visual podem se tornar permanentes.
A conduta imediata é a suspensão definitiva do etambutol e a comunicação ao médico prescritor para ajuste do esquema terapêutico da tuberculose. Não há indicação de pulsoterapia com corticoides, pois a fisiopatologia é tóxica/metabólica, não inflamatória.
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