CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Característica da neuropatia óptica de Leber:
Leber (LHON) = Perda visual central indolor + Resposta INSATISFATÓRIA a corticoides.
A Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (LHON) é uma doença mitocondrial que causa perda visual severa e não responde ao tratamento com corticosteroides.
A Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (LHON) é a doença mitocondrial mais comum, afetando preferencialmente homens jovens. A herança é exclusivamente materna, embora a penetrância seja incompleta. Na fase aguda, observa-se pseudoedema de disco óptico e telangiectasias peripapilares que não extravasam contraste na angiofluoresceína. O diagnóstico é confirmado por testes genéticos moleculares. O aconselhamento genético é vital, alertando que todos os descendentes de uma mulher portadora herdarão a mutação. Fatores ambientais como tabagismo e consumo excessivo de álcool devem ser evitados, pois aumentam drasticamente o risco de conversão para a fase sintomática da doença.
A perda visual na LHON é tipicamente subaguda, central, severa e indolor. Geralmente começa em um olho e progride para o segundo olho em semanas ou meses (perda sequencial, raramente simultânea). O resultado final costuma ser um escotoma centro-cecal denso e acuidade visual muito baixa, frequentemente pior que 20/200.
Os corticosteroides são agentes anti-inflamatórios e imunossupressores. A Neuropatia de Leber não é uma doença inflamatória, mas sim uma disfunção na cadeia de transporte de elétrons mitocondrial devido a mutações no DNA mitocondrial (especialmente as mutações 11778, 3460 e 14484). Como a base é um estresse oxidativo e falha energética celular, os corticoides não têm alvo terapêutico na patogênese da doença.
Atualmente, a Idebenona (um análogo da coenzima Q10) é o tratamento farmacológico com maior evidência, auxiliando no transporte de elétrons e reduzindo o estresse oxidativo. Terapias gênicas também estão em desenvolvimento e já apresentam resultados promissores em estudos clínicos para mutações específicas (como a ND4).
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