CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Sobre a neuropatia óptica isquêmica, forma não arterítica, podemos afirmar que:
NOIA-NA = Perda visual súbita + 'Disk at Risk' (disco pequeno sem escavação).
A NOIA-NA é causada pela isquemia das artérias ciliares posteriores curtas, ocorrendo tipicamente em discos ópticos pequenos e 'cheios' (crowded discs).
A Neuropatia Óptica Isquêmica Não Arterítica (NOIA-NA) é a neuropatia óptica aguda mais comum em pacientes acima de 50 anos. Diferente da forma arterítica (associada à arterite de células gigantes), a NOIA-NA não apresenta sintomas sistêmicos como cefaleia ou claudicação de mandíbula, e as provas inflamatórias (VHS e PCR) costumam estar normais. A fisiopatologia envolve uma insuficiência circulatória transitória na cabeça do nervo óptico. É crucial diferenciar as duas formas, pois a arterítica exige corticoterapia imediata em altas doses para prevenir a cegueira bilateral.
O 'disco em risco' refere-se a uma característica anatômica predisponente onde o disco óptico é congenitamente pequeno, com uma escavação fisiológica mínima ou ausente (disco 'cheio' ou 'crowded'). Essa conformação gera um ambiente de maior pressão tecidual, facilitando o comprometimento da perfusão microvascular das artérias ciliares posteriores curtas e resultando em isquemia da cabeça do nervo óptico.
O paciente típico apresenta perda visual súbita, unilateral e indolor, frequentemente percebida ao acordar (sugerindo relação com hipotensão noturna). Ao exame, observa-se edema de papila (frequentemente setorial), hemorragias peridiscais em chama de vela e um defeito pupilar aferente relativo. O campo visual revela classicamente um defeito altitudinal, mais comum no campo inferior.
Atualmente, não há tratamento comprovado que reverta a perda visual na NOIA-NA. O manejo foca no controle de fatores de risco sistêmicos, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia e apneia do sono, para reduzir o risco de acometimento do olho contralateral (que ocorre em cerca de 15-25% dos casos em 5 anos). O uso de corticoides é controverso e não é obrigatório.
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