NOIA-NA: Diagnóstico e Quadro Clínico da Isquemia Óptica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007

Enunciado

Homem, 60 anos de idade, tabagista e hipertenso, apresenta perda visual súbita não dolorosa em olho esquerdo. Nega alterações oculares prévias. Acuidade visual OD 20/20 OE 20/80. Fundoscopia de olho esquerdo mostra edema de papila localizado acompanhado de algumas hemorragias superficiais ao redor do disco. Olho direito sem alterações. Qual das alternativas abaixo melhor representa o quadro clínico descrito?

Alternativas

  1. A) Neuropatia óptica isquêmica posterior
  2. B) Ambliopia tabaco-álcool
  3. C) Neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica
  4. D) Neurite óptica relacionada com a esclerose múltipla

Pérola Clínica

Idoso + Perda visual súbita indolor + Edema de papila + Fatores de risco CV = NOIA-NA.

Resumo-Chave

A NOIA-NA é a principal causa de perda visual aguda por edema de disco em pacientes acima de 50 anos, frequentemente associada a hipertensão, diabetes e tabagismo.

Contexto Educacional

A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (NOIA-NA) resulta da hipoperfusão das artérias ciliares posteriores curtas, que suprem a cabeça do nervo óptico. O quadro clínico típico é de um paciente na sexta ou sétima década de vida que acorda com uma perda visual súbita, frequentemente percebendo um defeito de campo visual altitudinal (geralmente inferior). O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história e no exame de fundo de olho. A presença de edema de papila em um paciente com fatores de risco vasculares e sem dor ocular direciona fortemente para NOIA-NA. É crucial descartar a forma arterítica em todos os casos suspeitos, devido ao risco de cegueira bilateral rápida e necessidade de corticoterapia sistêmica imediata na arterite de células gigantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados fundoscópicos na NOIA-NA?

O achado clássico é o edema de papila (disco óptico), que pode ser total ou setorial (frequentemente superior). O edema costuma ser pálido ou hiperemiado e é acompanhado por hemorragias peridiscais em 'chama de vela'. Um fator de risco anatômico importante observado no olho contralateral é o 'disc at risk' (disco em risco), caracterizado por uma escavação fisiológica muito pequena ou ausente (disco cheio).

Como diferenciar a NOIA Não Arterítica da forma Arterítica?

A NOIA Arterítica (associada à Arterite de Células Gigantes) costuma apresentar perda visual muito mais severa, sintomas sistêmicos (cefaleia, claudicação de mandíbula, polimialgia reumática) e marcadores inflamatórios (VHS e PCR) significativamente elevados. A NOIA-NA é mais comum, indolor, e os marcadores inflamatórios costumam estar normais, estando ligada a fatores de risco como HAS, DM e apneia do sono.

Existe tratamento eficaz para a NOIA-NA?

Atualmente, não existe um tratamento comprovado para reverter a perda visual na NOIA-NA. O manejo foca no controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, dislipidemia) e na cessação do tabagismo para reduzir o risco de acometimento do olho contralateral, que ocorre em cerca de 15-25% dos pacientes em 5 anos.

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