CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025
Baseado na neuropatia óptica que mais comumente apresenta estes achados nos exames complementares abaixo, podemos afirmar que:
NOIA-NA → Perda visual súbita indolor + Disco óptico "crowded" + Relação forte com SAHOS.
A NOIA-NA é a neuropatia óptica isquêmica mais comum, associada a fatores de risco vasculares sistêmicos e à anatomia do disco óptico (disco pequeno/escavação reduzida), sendo a apneia do sono um fator de risco modificável crucial.
A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (NOIA-NA) representa a principal causa de perda visual aguda por neuropatia óptica em pacientes acima de 50 anos. Diferente da forma arterítica, sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo uma combinação de predisposição anatômica e insultos vasculares sistêmicos. O quadro clássico é de perda visual súbita, indolor, frequentemente percebida ao acordar, com defeito de campo visual tipicamente altitudinal inferior. Estudos epidemiológicos demonstram uma prevalência elevada de SAHOS em pacientes com NOIA-NA, chegando a 70-80% em algumas séries. O tratamento foca no controle dos fatores de risco cardiovasculares para proteger o olho contralateral, já que não há terapia comprovadamente eficaz para reverter o dano no olho acometido. O reconhecimento da SAHOS é vital, pois o tratamento com CPAP pode reduzir o risco de recorrência no olho adelfo.
O 'disco óptico de risco' refere-se a uma característica anatômica predisponente onde o disco óptico é pequeno e apresenta uma escavação fisiológica muito reduzida ou ausente (crowded disc). Essa conformação aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo e predispõe à isquemia da cabeça do nervo óptico quando ocorrem variações na pressão de perfusão, como durante episódios de hipotensão noturna ou hipóxia associada à apneia do sono.
A Síndrome da Apneia e Hipoapneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) causa episódios repetitivos de hipóxia intermitente, hipercapnia e flutuações pressóricas importantes durante o sono. Esses mecanismos levam ao estresse oxidativo, disfunção endotelial e desregulação da autorregulação vascular do nervo óptico. Além disso, a pressão intratorácica negativa durante os episódios de apneia pode reduzir o retorno venoso e a pressão de perfusão ocular, precipitando o evento isquêmico.
A NOIA-NA geralmente ocorre em pacientes mais jovens (50-70 anos) com fatores de risco vasculares (HAS, DM, SAHOS) e não apresenta sintomas sistêmicos. Já a NOIA Arterítica (Arterite de Células Gigantes) ocorre em idosos (>70 anos), cursa com perda visual mais grave, sintomas sistêmicos (claudicação de mandíbula, cefaleia temporal, polimialgia reumática) e marcadores inflamatórios (VHS e PCR) significativamente elevados, exigindo corticoterapia imediata.
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