CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
O edema pálido de nervo óptico é mais característico da fase aguda de qual das condições abaixo?
Edema de disco pálido ('chalky white') + perda visual súbita → NOIA Arterítica (ACG).
O edema pálido sugere isquemia severa das artérias ciliares posteriores curtas, característica da Arterite de Células Gigantes, diferenciando-se do edema hiperêmico da NOIA não-arterítica.
A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Arterítica (NOIA-A) é a manifestação ocular mais grave da Arterite de Células Gigantes (ACG), uma vasculite de grandes e médios vasos. Clinicamente, manifesta-se como perda visual súbita e severa em pacientes idosos, frequentemente acompanhada de sintomas sistêmicos como cefaleia, claudicação de mandíbula e polimialgia reumática. O sinal oftalmoscópico clássico é o edema de disco óptico pálido ou 'chalky white'. Na angiofluoresceinografia, observa-se um atraso severo no enchimento coroidiano, confirmando a hipoperfusão das artérias ciliares posteriores. O diagnóstico diferencial inclui a NOIA não-arterítica (disco hiperêmico, 'disk at risk' no olho contralateral) e a neurite óptica (pacientes mais jovens, dor à movimentação ocular).
O aspecto pálido, muitas vezes descrito como 'branco-giz', decorre de uma isquemia aguda e severa do disco óptico causada pela oclusão das artérias ciliares posteriores curtas. Diferente da forma não-arterítica, onde há um componente de luxação vascular e hiperemia relativa, na forma arterítica (associada à Arterite de Células Gigantes) o fluxo sanguíneo é tão reduzido que o disco assume uma coloração pálida imediata.
Diante de um edema pálido de disco, deve-se solicitar imediatamente a Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e a Proteína C-Reativa (PCR). Ambos costumam estar marcadamente elevados na Arterite de Células Gigantes. A PCR é considerada mais sensível e responde mais rápido ao tratamento. O hemograma também pode mostrar trombocitose.
A suspeita de NOIA Arterítica é uma emergência oftalmológica. Deve-se iniciar imediatamente a corticoterapia sistêmica em doses elevadas (frequentemente pulsoterapia com metilprednisolona) antes mesmo de realizar a biópsia da artéria temporal, visando proteger o olho contralateral de uma perda visual iminente e irreversível.
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