Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior (NOIA) Não Arterítica

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Paciente de 48 anos de idade, hipertenso mal controlado, apresenta quadro súbito de perda visual unilateral, não associada a outros sintomas oculares ou sistêmicos, há 15 dias. O hemograma, a velocidade de hemossedimentação, a proteína C reativa sérica e a imagem por ressonância magnética de crânio e órbita forneceram resultados normais. O fundo de olho e a campimetria estão ilustrados abaixo. Considerando o diagnóstico mais provável, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) A lesão está associada a hipoperfusão no território das artérias ciliares posteriores curtas
  2. B) A campimetria não é compatível com os achados de fundo de olho
  3. C) O paciente necessita de pulsoterapia corticoide em caráter de urgência
  4. D) É comum o quadro ser precedido por perda transitória da visão

Pérola Clínica

Perda visual súbita indolor + Defeito altitudinal + Papiledema = NOIA-NA.

Resumo-Chave

A NOIA não arterítica é causada pela hipoperfusão das artérias ciliares posteriores curtas, resultando em infarto da cabeça do nervo óptico.

Contexto Educacional

A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (NOIA-NA) é a neuropatia óptica aguda mais comum em adultos acima de 50 anos. O quadro clínico clássico é a perda súbita de visão ao acordar, sugerindo que a hipotensão noturna desempenha um papel na hipoperfusão das artérias ciliares posteriores curtas. Ao exame de fundo de olho, observa-se edema de papila (papiledema), muitas vezes setorial e com hemorragias em chama de vela. Não há tratamento comprovadamente eficaz para reverter a perda visual na NOIA-NA, focando-se o manejo no controle de fatores de risco cardiovasculares para proteger o olho contralateral.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da NOIA não arterítica?

A NOIA-NA ocorre devido a uma insuficiência circulatória transitória ou queda na pressão de perfusão das artérias ciliares posteriores curtas, que suprem a cabeça do nervo óptico. Frequentemente está associada a fatores de risco vasculares (HAS, DM) e a uma predisposição anatômica conhecida como 'disc at risk' (disco óptico pequeno com escavação reduzida).

Como é o defeito de campo visual típico na NOIA?

O defeito campimétrico mais característico é o defeito altitudinal, geralmente inferior. Isso ocorre porque o suprimento vascular da cabeça do nervo óptico é dividido em setores, e a isquemia costuma afetar a metade superior ou inferior do disco, respeitando a linha média horizontal.

Como diferenciar a forma arterítica da não arterítica?

A forma arterítica (associada à Arterite de Células Gigantes) ocorre em pacientes mais idosos, apresenta sintomas sistêmicos (cefaleia, claudicação de mandíbula) e marcadores inflamatórios (VHS e PCR) muito elevados. A NOIA-NA, como no caso clínico, apresenta exames laboratoriais normais e perda visual súbita e indolor.

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