CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Paciente com neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica unilateral há duas semanas, não apresenta qualquer outra doença ocular ou neural. Qual a manifestação oftálmica mais esperada?
NOIA-NA = Perda visual súbita indolor + Edema de papila (setorial/difuso) + Hemorragias em chama de vela.
A NOIA-NA é a causa mais comum de neuropatia óptica aguda em idosos, caracterizada por isquemia da cabeça do nervo óptico com achados típicos de edema e hemorragias peripapilares.
A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (NOIA-NA) decorre de uma insuficiência circulatória nas artérias ciliares posteriores curtas que irrigam a porção pré-laminar e laminar do nervo óptico. É uma condição idiopática, mas fortemente associada a fatores de risco vasculares e a uma anatomia predisponente do disco óptico. Clinicamente, o paciente relata baixa acuidade visual súbita ao acordar (devido à hipotensão noturna). Ao exame, além do edema de papila e hemorragias, observa-se o Defeito Pupilar Aferente Relativo (Marcus-Gunn), sinal de disfunção axonal unilateral. Não há tratamento comprovadamente eficaz para reverter a perda visual, focando-se o manejo no controle dos fatores de risco para proteger o olho contralateral.
Na fase aguda (primeiras semanas), o achado patognomônico é o edema do disco óptico, que pode ser difuso ou setorial (frequentemente superior). Este edema é tipicamente pálido ou hiperemiado e vem acompanhado de hemorragias peripapilares em 'chama de vela'. O olho contralateral frequentemente apresenta uma papila pequena com escavação fisiológica reduzida ou ausente, configuração conhecida como 'disk at risk' (disco em risco), que predispõe ao evento isquêmico.
O defeito de campo visual mais característico da NOIA-NA é o defeito altitudinal, geralmente envolvendo o campo inferior. Isso ocorre devido à organização vascular e axonal do nervo óptico, onde a isquemia das artérias ciliares posteriores curtas tende a afetar preferencialmente uma metade (superior ou inferior) da cabeça do nervo. Defeitos bitemporais, por outro lado, sugerem lesões quiasmáticas e não neuropatias ópticas isquêmicas.
A NOIA arterítica (associada à Arterite de Células Gigantes) costuma apresentar perda visual muito mais grave, sintomas sistêmicos (cefaléia, claudicação de mandíbula, polimialgia reumática) e marcadores inflamatórios (VHS e PCR) muito elevados. A NOIA não arterítica (NOIA-NA) está mais ligada a fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, apneia do sono) e hipotensão noturna, sem os sintomas inflamatórios sistêmicos.
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