CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Sobre a neuropatia óptica hereditária de Leber, podemos dizer que:
Neuropatia de Leber = herança mitocondrial (maternal) com perda visual subaguda em homens jovens.
A Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (LHON) é causada por mutações no DNA mitocondrial, transmitidas exclusivamente pela linhagem materna, afetando a produção de energia nas células ganglionares da retina.
A Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (LHON) representa um paradigma das doenças mitocondriais na oftalmologia. A disfunção na cadeia respiratória mitocondrial leva ao estresse oxidativo e apoptose seletiva das células ganglionares da retina, particularmente no feixe papilomacular. O diagnóstico é confirmado por testes genéticos moleculares. O aconselhamento genético é complexo devido à heteroplasmia (presença de DNA mitocondrial normal e mutado na mesma célula) e à penetrância variável. É fundamental orientar os portadores a evitarem estressores mitocondriais, como o tabagismo, que aumenta drasticamente o risco de conversão para a fase sintomática da doença.
A LHON é causada por mutações no DNA mitocondrial (mtDNA), mais comumente nas posições 11778, 3460 ou 14484. Como as mitocôndrias do zigoto derivam quase inteiramente do óvulo, a transmissão é exclusivamente materna. Uma mãe portadora transmitirá a mutação para todos os seus filhos (homens e mulheres), mas apenas as filhas poderão transmitir a mutação para as gerações seguintes.
Embora a mutação seja transmitida pela mãe para todos os filhos, a penetrância da doença é incompleta e varia conforme o sexo. Aproximadamente 50% dos homens portadores da mutação desenvolvem a perda visual, contra apenas 10% das mulheres. Os motivos exatos dessa predileção masculina ainda são estudados, mas acredita-se que fatores hormonais (estrogênio protetor) e ambientais (tabagismo e álcool) influenciem a expressão fenotípica.
O paciente típico é um homem jovem (15-35 anos) que apresenta perda visual central, súbita ou subaguda, indolor, inicialmente em um olho, seguida pelo comprometimento do olho contralateral em semanas ou meses. No estágio agudo, observa-se hiperemia do disco óptico e telangiectasias peripapilares, evoluindo para atrofia óptica e escotoma central denso e permanente.
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