UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Mulher de 60 anos de idade, diabética tipo 2 há 20 anos em uso de metformina 2000 mg e glibenclamida 20 mg/dia. Há 3 semanas passou a apresentar câimbras noturnas e dor em queimação nas pernas.Qual é o diagnóstico mais provável?Qual a sua primeira intervenção terapêutica?
Diabético com dor em queimação/câimbras → Neuropatia diabética. 1ª intervenção: otimizar controle glicêmico.
A dor em queimação e câimbras noturnas em paciente diabético de longa data são altamente sugestivas de neuropatia diabética periférica. A primeira e mais importante intervenção é a otimização do controle glicêmico para prevenir a progressão da doença.
A neuropatia diabética periférica é uma complicação crônica comum do Diabetes Mellitus, especialmente em pacientes com longo tempo de doença e controle glicêmico inadequado. Ela resulta de danos aos nervos periféricos causados pela hiperglicemia crônica, levando a sintomas como dor em queimação, formigamento, dormência e câimbras, frequentemente pior à noite e com distribuição em "luva e meia". O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no exame físico que pode revelar perda de sensibilidade protetora, reflexos diminuídos e alterações vibratórias. A idade avançada e o tempo de doença são fatores de risco importantes. Neste caso, a paciente de 60 anos, diabética há 20 anos e com uso de doses elevadas de hipoglicemiantes, apresenta um quadro clássico. A primeira e mais crucial intervenção terapêutica é a otimização do controle glicêmico. Embora o tratamento sintomático da dor seja importante para melhorar a qualidade de vida (com gabapentina, pregabalina, duloxetina, etc.), a estabilização dos níveis de glicose é fundamental para prevenir a progressão da neuropatia e outras complicações microvasculares. Residentes devem sempre priorizar a causa subjacente.
Os sintomas incluem dor em queimação, formigamento, dormência, câimbras, sensação de agulhadas, e perda de sensibilidade, geralmente em padrão de "luva e meia", pior à noite.
O controle glicêmico rigoroso é a intervenção mais eficaz para prevenir o desenvolvimento e retardar a progressão da neuropatia diabética, pois a hiperglicemia crônica é o principal fator etiológico.
Para o alívio sintomático, podem ser usados antidepressivos tricíclicos (amitriptilina), inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (duloxetina, venlafaxina) e anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina).
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