Neuropatia Diabética: Diagnóstico e Exame Anual do Pé

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Rogério, 53 anos, tabagista 20 anos-maço, diabético tipo 2 há 6 anos. É atendido na UBS com queixa de dormência e formigamento nas extremidades inferiores há cerca de 8 meses, sem perda da força. O exame físico revela sensação diminuída ao toque leve, picada de agulha e sensação vibratória em ambos os pés, estendendo-se até 5 cm abaixo dos joelhos, simetricamente. Percebe-se falta de pelos nas pernas no mesmo nível. Demais exames médicos e neurológico sem alteração. Qual o diagnóstico mais provável e a correta avaliação dos pés?

Alternativas

  1. A) Síndrome paraneoplásica e o teste com monofilamento deve ser aplicado somente em pés com úlceras, necrose, calos e cicatrizes. 
  2. B) Neuropatia periférica e o exame do pé deve ser realizado no mínimo uma vez ao ano.
  3. C) Síndrome da cauda equina e usualmente não se faz exame dos pés em UBS. Deve-se encaminhar para especialista. 
  4. D) Mononeurite múltipla precoce e a ordem dos pontos testados deve ser contínua e somente no pé acometido. 

Pérola Clínica

Diabético com dormência/formigamento simétrico em 'bota e luva', ↓ sensibilidade → Neuropatia diabética; exame do pé anual é essencial.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dormência e formigamento simétrico em extremidades inferiores, com perda de sensibilidade (tátil, dolorosa, vibratória) em padrão de 'bota e luva', em um paciente diabético, é altamente sugestivo de neuropatia diabética periférica. A avaliação anual dos pés é crucial para identificar riscos de úlceras e amputações.

Contexto Educacional

A neuropatia diabética é uma das complicações crônicas mais comuns e debilitantes do diabetes mellitus, afetando até 50% dos pacientes. Sua importância clínica reside no alto risco de úlceras nos pés, infecções e amputações, que são causas significativas de morbidade e mortalidade. A epidemiologia mostra que o diabetes é uma das principais causas de neuropatia periférica no mundo. A fisiopatologia envolve danos aos nervos periféricos devido à hiperglicemia crônica, estresse oxidativo e disfunção microvascular. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico, que revela perda de sensibilidade em padrão de 'bota e luva'. Deve-se suspeitar em qualquer paciente diabético com queixas de dormência, formigamento ou dor nas extremidades. O tratamento primário é o controle glicêmico rigoroso para prevenir a progressão. O manejo sintomático pode incluir medicamentos para dor neuropática. O prognóstico é melhor com detecção e intervenção precoces. Pontos de atenção incluem a educação do paciente sobre autocuidado dos pés e a importância do exame anual do pé, que deve ser realizado em todos os pacientes diabéticos, independentemente da presença de sintomas, para rastreamento de neuropatia e doença arterial periférica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da neuropatia diabética periférica?

Os sintomas mais comuns incluem dormência, formigamento, queimação, dor (especialmente à noite) e perda de sensibilidade (tátil, térmica, dolorosa, vibratória), geralmente em um padrão de 'bota e luva', afetando simetricamente os pés e, em casos avançados, as mãos.

Como é realizado o exame do pé diabético para rastreamento de neuropatia?

O exame do pé diabético deve incluir a inspeção visual (lesões, deformidades), palpação de pulsos, avaliação da sensibilidade protetora (monofilamento de Semmes-Weinstein), sensibilidade vibratória (diapasão de 128 Hz) e sensibilidade dolorosa/tátil (picada de agulha, toque leve).

Por que o exame anual do pé é tão importante para diabéticos?

O exame anual do pé é fundamental para identificar precocemente a neuropatia periférica e a doença arterial periférica, que aumentam o risco de úlceras, infecções e amputações. A detecção precoce permite intervenções preventivas e educação do paciente.

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