SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Um rapaz de 16 anos que vive numa favela com precárias condições, sem instalações sanitárias, é atendido na Unidade Básica de Saúde. Seus pais relatam um episódio de crise convulsiva sem outros sintomas. Negam casos de epilepsia na família. Qual das opções abaixo apresenta o diagnóstico mais provável e compatível com esse caso?
Crise convulsiva isolada + precárias condições sanitárias → Neurocisticercose até prova em contrário.
A neurocisticercose é a parasitose mais comum do sistema nervoso central e uma causa importante de epilepsia adquirida em regiões endêmicas, especialmente em áreas com saneamento básico deficiente e consumo de carne de porco mal cozida.
A neurocisticercose é uma infecção parasitária do sistema nervoso central causada pela larva da Taenia solium (Cysticercus cellulosae). É a parasitose mais comum do SNC e uma das principais causas de epilepsia adquirida em países em desenvolvimento e regiões endêmicas, como algumas áreas do Brasil, sendo um diagnóstico crucial em contextos específicos. A transmissão ocorre pela ingestão de ovos de Taenia solium presentes em alimentos ou água contaminados com fezes humanas de portadores de teníase. As condições de vida em favelas, com saneamento básico deficiente e falta de higiene, aumentam significativamente o risco de exposição e infecção. A crise convulsiva é a manifestação clínica mais frequente da neurocisticercose, ocorrendo em até 70-90% dos casos sintomáticos, e pode ser a única apresentação. Outras causas como abscesso cerebral, encefalite aguda ou meningite bacteriana, embora possíveis, geralmente apresentam um quadro clínico mais agudo, com febre, sinais de infecção, alterações do nível de consciência e outros déficits neurológicos, que não foram descritos no enunciado. A ausência de histórico familiar de epilepsia reforça a busca por uma causa secundária, e a neurocisticercose se encaixa perfeitamente no cenário epidemiológico e clínico apresentado, tornando-se o diagnóstico mais provável.
Os principais fatores de risco para neurocisticercose incluem viver em áreas com saneamento básico deficiente, contato com portadores de teníase, consumo de alimentos ou água contaminados com ovos de Taenia solium e consumo de carne de porco mal cozida.
A neurocisticercose pode se manifestar com crises convulsivas (a mais comum), cefaleia, hidrocefalia, déficits neurológicos focais, hipertensão intracraniana e, em casos graves, encefalite ou cisticercose espinhal.
Condições sanitárias precárias, como falta de saneamento básico e higiene inadequada, favorecem a contaminação ambiental por ovos de Taenia solium, aumentando o risco de infecção humana e, consequentemente, de neurocisticercose.
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