CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020
Mulher de 22 anos refere perda visual subaguda unilateral há dois dias, associada à dor à elevação ocular ipsilateral. O exame ocular revelou defeito aferente relativo ipsilateral à perda visual e fundo de olho normal. Qual das imagens por ressonância nuclear magnética, abaixo, melhor reforçaria a principal hipótese diagnóstica?
Neurite retrobulbar: O paciente não vê nada e o médico também não vê nada (fundo de olho normal).
A neurite óptica retrobulbar é caracterizada por perda visual e dor, mas com disco óptico de aparência normal na fase aguda, exigindo RM para confirmação.
A neurite óptica retrobulbar ocorre quando a inflamação atinge o nervo óptico atrás do globo ocular. Por isso, ao contrário da papilite, o disco óptico não apresenta edema ou hiperemia no início do quadro. A tríade clássica é: perda visual subaguda, dor à movimentação ocular e DPAR. A Ressonância Magnética é o exame de escolha não apenas para confirmar a inflamação do nervo, mas também para estratificar o risco de Esclerose Múltipla através da análise do parênquima cerebral. O tratamento geralmente envolve pulsoterapia com corticoides para acelerar a recuperação visual, embora o prognóstico final de acuidade visual costume ser bom mesmo sem intervenção.
Na fase aguda da neurite óptica, a Ressonância Magnética com contraste (gadolínio) e supressão de gordura mostra hipersinal em T2 e realce do nervo óptico acometido. Esse realce indica quebra da barreira hemato-encefálica devido ao processo inflamatório desmielinizante.
O DPAR (ou pupila de Marcus-Gunn) é o sinal clínico mais fidedigno de uma neuropatia óptica unilateral ou assimétrica. Ele demonstra que a condução do estímulo luminoso pelo nervo óptico afetado está reduzida em comparação ao olho contralateral, sendo essencial para o diagnóstico quando o fundo de olho está normal.
A neurite óptica é a manifestação inicial da Esclerose Múltipla em cerca de 20% dos pacientes e ocorrerá em algum momento em até 50% deles. A presença de lesões desmielinizantes na substância branca periventricular na RM de crânio aumenta significativamente o risco de conversão para EM após um episódio isolado de neurite.
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