CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Criança de oito anos de idade, do sexo masculino, apresentou perda visual aguda do olho direito, seguida de perda visual aguda do olho esquerdo, após três dias. Queixava-se de cefaleia frontal. Apresentou quadro de infecção de vias aéreas superiores há duas semanas. Ao exame ocular foi evidenciado: acuidade visual de 0,1 em ambos os olhos, com reflexo pupilar direto lento em ambos os olhos e edema bilateral de disco óptico. Podemos afirmar que:
Perda visual bilateral aguda pós-IVAS + edema de disco = Neurite Óptica Parainfecciosa.
A neurite óptica em crianças é frequentemente bilateral e parainfecciosa, ocorrendo após quadros virais, apresentando edema de papila e bom prognóstico.
A neurite óptica pediátrica difere significativamente da forma adulta. Enquanto no adulto há forte associação com Esclerose Múltipla e apresentação unilateral retrobulbar, na criança a etiologia parainfecciosa é predominante, com maior incidência de bilateralidade e edema de disco visível à fundoscopia. O quadro clínico clássico envolve queda da acuidade visual, defeito pupilar aferente e discromatopsia. O prognóstico visual na forma parainfecciosa é geralmente favorável, com recuperação significativa após a fase aguda, embora o acompanhamento neurológico seja essencial para descartar doenças desmielinizantes crônicas.
É uma inflamação do nervo óptico que ocorre geralmente 1 a 3 semanas após uma infecção viral (como IVAS) ou vacinação. Na infância, manifesta-se tipicamente como perda visual aguda, frequentemente bilateral, acompanhada de edema de disco óptico (papilite). Diferente dos adultos, onde a neurite costuma ser retrobulbar e unilateral, na criança o envolvimento da cabeça do nervo óptico é comum.
A Ressonância Magnética (RM) de crânio e órbitas com contraste (gadolínio) é o exame de escolha. Ela permite visualizar o hipersinal e o realce do nervo óptico inflamado, além de avaliar a presença de lesões desmielinizantes no sistema nervoso central, o que ajuda a diferenciar entre um evento isolado, ADEM ou Esclerose Múltipla.
O tratamento inicial para casos com perda visual grave costuma ser a pulsoterapia com corticosteroides (como metilprednisolona endovenosa). O uso de imunossupressores não é mandatório inicialmente, sendo reservado para casos recidivantes, formas atípicas ou doenças autoimunes específicas (como NMO ou MOGAD).
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