CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
Mulher jovem com quadro de perda visual unilateral ao longo de três dias foi submetida ao exame de ressonância nuclear magnética de órbita e crânio com resultado mostrado nas figuras A e B, respectivamente. Considerando o diagnóstico mais provável, é correto afirmar:
Neurite óptica unilateral + RM com lesões desmielinizantes → Alta suspeita de Esclerose Múltipla.
O diagnóstico de neurite óptica é clínico, mas a RM e a análise do líquor (bandas oligoclonais) são fundamentais para estratificar o risco de esclerose múltipla.
A neurite óptica é a manifestação inicial da esclerose múltipla em cerca de 20% dos pacientes. A apresentação clássica envolve dor à movimentação ocular e perda visual subaguda. O entendimento dos critérios de McDonald e dos resultados do Optic Neuritis Treatment Trial (ONTT) é indispensável para a prática oftalmológica e neurológica moderna.
No contexto de uma neurite óptica associada à esclerose múltipla, o líquor pode apresentar um leve aumento da celularidade (pleocitose linfocitária leve) e do conteúdo proteico. O achado mais específico é a presença de bandas oligoclonais de IgG, detectadas por isofocalização, que indicam síntese intratecal de anticorpos.
A RM de crânio e órbitas com gadolínio é essencial. Na órbita, confirma a inflamação do nervo óptico. No crânio, a presença de lesões desmielinizantes periventriculares ou em 'dedos de Dawson' aumenta significativamente o risco de conversão para esclerose múltipla clinicamente definida.
O tratamento padrão é a pulsoterapia com metilprednisolona endovenosa (1g/dia por 3 a 5 dias), seguida ou não por desmame oral. Este esquema acelera a recuperação visual, embora não altere o prognóstico visual final a longo prazo.
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