CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Em um paciente com neuropatia óptica aguda, a presença de prolongamento da latência do potencial visual evocado associado a preservação de sua amplitude, surge mais qual tipo de dano entre os abaixo?
PVE: ↑ Latência + Amplitude preservada = Desmielinização; ↓ Amplitude = Dano axonal.
Na neurite óptica desmielinizante, a perda de mielina retarda a velocidade de condução (aumentando a latência), enquanto a integridade axonal mantém a amplitude do sinal.
A neuropatia óptica desmielinizante é frequentemente a manifestação inicial da esclerose múltipla. O Potencial Visual Evocado (PVE) é o exame eletrofisiológico de escolha para avaliar a via visual aferente. O componente mais importante é a onda P100. Fisiopatologicamente, a mielina atua como isolante elétrico permitindo a condução saltatória. Quando há desmielinização, a condução torna-se contínua e lenta, resultando no aumento da latência. Se o processo for puramente desmielinizante, a amplitude (que depende da quantidade de axônios) permanece normal. Já em neuropatias isquêmicas ou tóxicas, o dano é primariamente axonal, reduzindo a amplitude precocemente.
O aumento da latência no Potencial Visual Evocado (PVE) indica um atraso no tempo de condução do estímulo visual da retina até o córtex occipital. Esse achado é altamente característico de processos de desmielinização, como ocorre na esclerose múltipla e na neurite óptica clássica, onde a bainha de mielina danificada impede a condução saltatória rápida, mas o axônio permanece funcional.
A latência refere-se ao tempo (em milissegundos) para o sinal atingir o córtex, refletindo a integridade da mielina. A amplitude refere-se à voltagem do sinal, refletindo o número total de axônios funcionais que transmitem a informação. Na desmielinização pura, a latência aumenta e a amplitude é preservada; no dano axonal ou isquêmico, a amplitude diminui drasticamente.
O PVE é uma ferramenta sensível para detectar episódios prévios de neurite óptica subclínica. Mesmo que o paciente não apresente sintomas visuais agudos, um prolongamento persistente da latência P100 sugere uma lesão desmielinizante prévia, auxiliando na demonstração de disseminação no espaço e no tempo, critérios fundamentais para o diagnóstico de Esclerose Múltipla.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo