PVE na Neuropatia Óptica: Latência vs Amplitude

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023

Enunciado

Em um paciente com neuropatia óptica aguda, a presença de prolongamento da latência do potencial visual evocado associado a preservação de sua amplitude, surge mais qual tipo de dano entre os abaixo?

Alternativas

  1. A) Lesão tumoral.
  2. B) Lesão neoplásica.
  3. C) Lesão desmielinizante
  4. D) Dano axonal irreversível

Pérola Clínica

PVE: ↑ Latência + Amplitude preservada = Desmielinização; ↓ Amplitude = Dano axonal.

Resumo-Chave

Na neurite óptica desmielinizante, a perda de mielina retarda a velocidade de condução (aumentando a latência), enquanto a integridade axonal mantém a amplitude do sinal.

Contexto Educacional

A neuropatia óptica desmielinizante é frequentemente a manifestação inicial da esclerose múltipla. O Potencial Visual Evocado (PVE) é o exame eletrofisiológico de escolha para avaliar a via visual aferente. O componente mais importante é a onda P100. Fisiopatologicamente, a mielina atua como isolante elétrico permitindo a condução saltatória. Quando há desmielinização, a condução torna-se contínua e lenta, resultando no aumento da latência. Se o processo for puramente desmielinizante, a amplitude (que depende da quantidade de axônios) permanece normal. Já em neuropatias isquêmicas ou tóxicas, o dano é primariamente axonal, reduzindo a amplitude precocemente.

Perguntas Frequentes

O que indica o aumento da latência no PVE?

O aumento da latência no Potencial Visual Evocado (PVE) indica um atraso no tempo de condução do estímulo visual da retina até o córtex occipital. Esse achado é altamente característico de processos de desmielinização, como ocorre na esclerose múltipla e na neurite óptica clássica, onde a bainha de mielina danificada impede a condução saltatória rápida, mas o axônio permanece funcional.

Qual a diferença entre latência e amplitude no PVE?

A latência refere-se ao tempo (em milissegundos) para o sinal atingir o córtex, refletindo a integridade da mielina. A amplitude refere-se à voltagem do sinal, refletindo o número total de axônios funcionais que transmitem a informação. Na desmielinização pura, a latência aumenta e a amplitude é preservada; no dano axonal ou isquêmico, a amplitude diminui drasticamente.

Como o PVE auxilia no diagnóstico de Esclerose Múltipla?

O PVE é uma ferramenta sensível para detectar episódios prévios de neurite óptica subclínica. Mesmo que o paciente não apresente sintomas visuais agudos, um prolongamento persistente da latência P100 sugere uma lesão desmielinizante prévia, auxiliando na demonstração de disseminação no espaço e no tempo, critérios fundamentais para o diagnóstico de Esclerose Múltipla.

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