Neurite Óptica: Diagnóstico e Manejo na Prática Clínica

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 34 anos de idade, queixa-se de dor à movimentação do olho esquerdo e escotoma na visão central do mesmo olho, há 5 dias. Portadora de hipertensão arterial sistêmica, nega vacinação ou infecção recentes. Exame: acuidade visual de 20/80 no olho esquerdo, discromatopsia e defeito pupilar aferente relativo, sem edema de papila. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Corticoterapia oral com prednisona; tomografia de crânio.
  2. B) Pulsoterapia com metilprednisolona; ressonância magnética de crânio.
  3. C) Tratamento conservador; orientação sobre melhora espontânea do quadro.
  4. D) Tratamento conservador; coleta VHS, PCR e biópsia de artéria temporal.

Pérola Clínica

Neurite óptica → dor ocular + perda visual aguda + discromatopsia + RAPD. Conduta: pulsoterapia com metilprednisolona e RM de crânio.

Resumo-Chave

A neurite óptica é uma inflamação do nervo óptico, frequentemente associada à esclerose múltipla. A dor à movimentação ocular e a perda visual aguda, com discromatopsia e RAPD, são achados clássicos. O tratamento com pulsoterapia acelera a recuperação visual, e a RM de crânio é crucial para investigar desmielinização.

Contexto Educacional

A neurite óptica é uma condição inflamatória do nervo óptico, sendo uma das manifestações mais comuns da esclerose múltipla (EM), especialmente em adultos jovens. Caracteriza-se por perda visual aguda e subaguda, frequentemente acompanhada de dor à movimentação ocular. A prevalência da EM é maior em mulheres, e a neurite óptica pode ser o primeiro sintoma em até 20% dos casos. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de dor ocular, perda visual e discromatopsia, além do achado de defeito pupilar aferente relativo (RAPD). O exame de fundo de olho pode ser normal (neurite retrobulbar) ou mostrar edema de papila (papilite). A ressonância magnética (RM) de crânio é essencial para avaliar a presença de lesões desmielinizantes no cérebro, que são preditivas de um risco aumentado de desenvolver EM clinicamente definida. O tratamento agudo da neurite óptica envolve pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa por 3-5 dias, seguida ou não por corticoterapia oral. Embora a pulsoterapia não altere o desfecho visual final, ela acelera a recuperação da acuidade visual. O tratamento conservador não é a melhor opção, pois a pulsoterapia tem benefício comprovado na recuperação mais rápida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da neurite óptica?

Os sinais clássicos incluem dor à movimentação ocular, perda visual aguda (geralmente unilateral), escotoma central, discromatopsia e defeito pupilar aferente relativo (RAPD).

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de neurite óptica?

A conduta inicial envolve pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa para acelerar a recuperação visual e ressonância magnética de crânio para investigar lesões desmielinizantes.

Qual a importância da ressonância magnética no diagnóstico da neurite óptica?

A RM de crânio é fundamental para identificar lesões desmielinizantes cerebrais, que podem indicar um risco aumentado de desenvolvimento de esclerose múltipla futura.

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