CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Paralisia do quinto nervo craniano pode desencadear na córnea, mais comumente:
Lesão do V par (Trigêmeo) → Perda de sensibilidade → Úlcera neurotrófica (indolor e bordas elevadas).
A integridade do nervo trigêmeo (ramo V1) é essencial para o trofismo corneano. Sua paralisia leva à perda de reflexos e fatores de crescimento, resultando em úlceras neurotróficas de difícil cicatrização.
O nervo trigêmeo (V par craniano) é o responsável pela via aferente do reflexo corneano e pela manutenção da homeostase da superfície ocular. Na prática clínica, a avaliação da sensibilidade corneana com um estesiômetro ou um simples fio de algodão é um passo semiológico vital em pacientes com defeitos epiteliais crônicos. A úlcera neurotrófica é classificada em estágios (Mackie): o estágio 1 apresenta irregularidades epiteliais; o estágio 2 mostra defeito epitelial persistente com bordas lisas; e o estágio 3 evolui com lise estromal e risco de perfuração. O tratamento é desafiador, envolvendo lubrificantes sem conservantes, soro autólogo, lentes de contato terapêuticas e, mais recentemente, o uso de NGF recombinante humano (Cenegermin).
A inervação sensorial pelo ramo oftálmico do nervo trigêmeo (V1) não serve apenas para a dor; os nervos liberam neuromediadores e fatores tróficos (como o Nerve Growth Factor - NGF) essenciais para o metabolismo, renovação e cicatrização do epitélio corneano. Sem esses estímulos, o epitélio torna-se frágil, ocorrem microtraumas despercebidos pela falta de dor e a taxa de mitose celular cai, levando a defeitos epiteliais persistentes que evoluem para úlceras.
A característica marcante da úlcera neurotrófica é a hipoestesia ou anestesia corneana total. Além disso, a úlcera costuma ter bordas lisas, elevadas e epitélio adjacente frouxo, com pouca reação inflamatória estromal (olho relativamente calmo para o tamanho da lesão) e ausência de dor proporcional ao quadro. Úlceras infecciosas costumam ser extremamente dolorosas e apresentam infiltrados purulentos densos.
As causas mais comuns incluem infecções virais prévias (Herpes Simplex e Herpes Zoster Oftálmico), que destroem os plexos nervosos corneanos, cirurgias para neuralgia do trigêmeo, tumores do ângulo pontocerebelar (como o schwanoma do acústico) e complicações de neurocirurgias. O diabetes mellitus também pode causar neuropatia sensorial corneana progressiva.
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