CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
A inervação da córnea é derivada do ramo:
Sensibilidade corneana = Ramo Oftálmico (V1) do Nervo Trigêmeo (V par).
A córnea recebe sua rica inervação sensorial através dos nervos ciliares longos, que são ramos do nervo nasociliar, originado do ramo oftálmico (V1) do nervo trigêmeo.
A córnea é um dos tecidos mais densamente inervados do corpo humano, com uma densidade de terminações nervosas cerca de 300 a 600 vezes maior que a da pele. Essa característica explica a dor extrema associada a erosões epiteliais simples. Anatomicamente, os nervos entram na córnea radialmente no nível do estroma médio e avançam anteriormente para perfurar a membrana de Bowman. A compreensão dessa anatomia é crucial para cirurgias como o LASIK, onde a criação do 'flap' corneano secciona esses nervos, resultando em olho seco neurotrófico temporário até que ocorra a regeneração nervosa.
A inervação sensorial da córnea provém do primeiro ramo do nervo trigêmeo (V par craniano), conhecido como nervo oftálmico (V1). O nervo oftálmico se divide em três ramos principais: frontal, lacrimal e nasociliar. É do nervo nasociliar que derivam os nervos ciliares longos. Estes nervos perfuram a esclera na região posterior do globo ocular, viajam pelo espaço supracoroidal e entram no estroma corneano periférico. Ao entrarem na córnea, perdem suas bainhas de mielina para manter a transparência tecidual e formam o plexo subepitelial, terminando como terminações nervosas livres entre as células epiteliais.
Embora a função primária da inervação seja a sensibilidade e a proteção (reflexo de piscar), os nervos corneanos desempenham um papel vital na manutenção da integridade do epitélio. Eles liberam neuropeptídeos e fatores neurotróficos (como a substância P e o fator de crescimento nervoso) que estimulam a proliferação, migração e adesão celular. A perda dessa inervação (denervação) leva à ceratopatia neurotrófica, caracterizada por defeitos epiteliais persistentes, ulcerações e perda da transparência, demonstrando que a saúde anatômica da córnea é dependente de sua conexão nervosa com o trigêmeo.
O reflexo corneano é um arco reflexo essencial para a proteção ocular. A via aferente (sensorial) é mediada pelo ramo oftálmico do nervo trigêmeo (V1), que detecta o estímulo tátil na córnea. Essa informação é processada no tronco encefálico e ativa a via eferente (motora), mediada pelo nervo facial (VII par craniano), que comanda a contração do músculo orbicular dos olhos, resultando no fechamento palpebral bilateral. A ausência ou diminuição desse reflexo pode indicar lesões no gânglio trigeminal, no tronco encefálico ou neuropatias periféricas, aumentando o risco de ceratite de exposição.
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