CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
A inervação sensitiva da pálpebra é feita pelo:
Sensibilidade palpebral = Trigêmeo (V); Fechar pálpebra = Facial (VII); Abrir = Oculomotor (III).
A sensibilidade de ambas as pálpebras é mediada pelo nervo trigêmeo (V par), através de seus ramos oftálmico (V1) e maxilar (V2).
A anatomia neurológica da região periorbitária é complexa devido à convergência de múltiplos pares cranianos. O nervo trigêmeo (V) atua como a principal via aferente (sensitiva). O ramo oftálmico (V1) sai do crânio pela fissura orbitária superior, enquanto o maxilar (V2) sai pelo forame redondo, ambos distribuindo terminações nervosas que garantem a percepção tátil, térmica e dolorosa das pálpebras. Compreender essa divisão é vital para a realização de bloqueios anestésicos em cirurgias oculoplásticas e para o diagnóstico de neuropatias. Por exemplo, o herpes zoster oftálmico segue estritamente o dermátomo de V1, afetando a pálpebra superior e a ponta do nariz (sinal de Hutchinson), o que alerta para o risco de envolvimento ocular grave.
A pálpebra superior é inervada principalmente por ramos da divisão oftálmica do trigêmeo (V1), incluindo os nervos supraorbitário, supratroclear, infratroclear e lacrimal. A pálpebra inferior recebe inervação predominantemente da divisão maxilar do trigêmeo (V2), através do nervo infraorbitário, com uma pequena contribuição do nervo infratroclear (V1) na região do canto medial.
O III par craniano (nervo oculomotor) é responsável pela inervação motora do músculo levantador da pálpebra superior, promovendo a abertura palpebral. Já o VII par craniano (nervo facial) inerva o músculo orbicular do olho, sendo responsável pelo fechamento das pálpebras (tanto o reflexo quanto o voluntário). Nenhum deles provê sensibilidade cutânea.
A integridade do nervo trigêmeo é essencial para o reflexo corneano e palpebral de defesa. Lesões no ramo V1 podem levar à perda da sensibilidade não apenas na pálpebra, mas também na córnea (ceratite neurotrófica), o que predispõe a úlceras e perfurações oculares, já que o paciente perde o mecanismo de alerta contra traumas e ressecamento.
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