Lesão do Nervo Torácico Longo: Causa da Escápula Alada

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022

Enunciado

No tratamento da neoplasia de mama, a abordagem axilar por vezes tem um importante papel no estadiamento e tratamento. Um dos importantes elementos de atenção do cirurgião nessa cirurgia é a identificação do nervo torácico longo. Qual alteração clínico-anatômica está associado à lesão do nervo torácico longo?

Alternativas

  1. A) Escápula alada.
  2. B) Dificuldade respiratória por paralisia do diafragma. 
  3. C) Síndrome de Claude Bernard Horner. 
  4. D) Atrofia de peitoral devido paralisia de peitoral maior.
  5. E) Parestesia de face medial de braço.

Pérola Clínica

Lesão do nervo torácico longo → paralisia do serrátil anterior → escápula alada.

Resumo-Chave

O nervo torácico longo inerva o músculo serrátil anterior, que é essencial para a estabilização e rotação da escápula. Sua lesão, comum em cirurgias axilares como a linfadenectomia para câncer de mama, resulta na paralisia deste músculo, levando à protrusão medial da escápula, conhecida como escápula alada, e dificuldade na elevação do braço acima de 90 graus.

Contexto Educacional

A cirurgia de mama, especialmente a que envolve a abordagem axilar para estadiamento e tratamento do câncer, exige um conhecimento anatômico detalhado para preservar estruturas neurovasculares importantes. O nervo torácico longo é um dos nervos mais vulneráveis durante a linfadenectomia axilar, devido ao seu trajeto na parede lateral do tórax, superficial ao músculo serrátil anterior. Sua identificação e preservação são cruciais para evitar morbidades significativas no pós-operatório. A lesão do nervo torácico longo resulta na paralisia do músculo serrátil anterior, levando à condição conhecida como escápula alada. Clinicamente, o paciente apresenta dificuldade em elevar o braço acima de 90 graus, fraqueza na abdução e rotação externa do ombro, e a característica protrusão medial da escápula, que se torna mais evidente quando o paciente tenta empurrar uma parede. A fisiopatologia está diretamente ligada à perda da função estabilizadora do serrátil anterior, que não consegue mais manter a escápula aderida à caixa torácica. O tratamento da escápula alada pode variar desde fisioterapia para fortalecimento de músculos adjacentes até, em casos selecionados e persistentes, cirurgia para estabilização da escápula ou transferência muscular. Para residentes, é fundamental reconhecer a anatomia cirúrgica da axila, identificar o nervo torácico longo e empregar técnicas cirúrgicas cuidadosas para minimizar o risco de lesão. A prevenção é a melhor abordagem, e o reconhecimento precoce da complicação permite um manejo adequado e melhora o prognóstico funcional do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a função do nervo torácico longo e qual músculo ele inerva?

O nervo torácico longo é responsável pela inervação do músculo serrátil anterior. Este músculo é crucial para a estabilização da escápula contra a parede torácica e para a rotação superior da escápula, permitindo a elevação do braço acima de 90 graus.

O que é a escápula alada e qual sua causa principal?

A escápula alada é uma condição em que a margem medial da escápula se projeta posteriormente, assemelhando-se a uma asa. Sua causa principal é a paralisia do músculo serrátil anterior, geralmente devido à lesão do nervo torácico longo, frequentemente durante procedimentos cirúrgicos na axila.

Em quais procedimentos cirúrgicos o nervo torácico longo está em risco de lesão?

O nervo torácico longo está em risco de lesão em procedimentos cirúrgicos que envolvem a dissecção da axila, como a linfadenectomia axilar para câncer de mama, biópsia de linfonodo sentinela, ou cirurgias para correção de deformidades torácicas. Sua localização superficial o torna vulnerável.

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