CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Considere as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta: I. Na paralisia facial ocasionada exclusivamente por lesão neural devida a adenocarcinoma parotídeo, ocorre diminuição da secreção lacrimal. II. O nervo facial inerva a glândula lacrimal ipsolateral por meio de um ramo chamado nervo petroso superficial maior
Lesão de nervo facial na parótida (extratemporal) NÃO reduz lacrimação; o ramo lacrimal sai antes.
A inervação parassimpática da glândula lacrimal ocorre via nervo petroso superficial maior, que emerge no gânglio geniculado, bem antes do nervo facial atingir a glândula parótida.
O diagnóstico topográfico das paralisias faciais é um exercício clássico de anatomia neuro-oftalmológica. O nervo facial possui um trajeto complexo com múltiplos ramos funcionais (motores, sensoriais, gustativos e autonômicos). Para o residente, é crucial diferenciar lesões centrais de periféricas e, dentro das periféricas, localizar o nível do dano. A preservação da lacrimação em um paciente com paralisia facial completa aponta para uma lesão distal ao gânglio geniculado. Além disso, o adenocarcinoma de parótida é uma causa importante de paralisia facial progressiva que deve ser diferenciada da paralisia de Bell, que tem início súbito e geralmente é idiopática.
As fibras parassimpáticas pré-ganglionares originam-se no núcleo salivatório superior, viajam pelo nervo intermédio (Wrisberg) junto ao VII par, e emergem no gânglio geniculado como o Nervo Petroso Superficial Maior. Este nervo se une ao nervo petroso profundo para formar o nervo do canal pterigoide (Vidiano), faz sinapse no gânglio pterigopalatino e, finalmente, as fibras pós-ganglionares chegam à glândula lacrimal via nervo zigomático e lacrimal (ramos do V par).
O adenocarcinoma de parótida causa uma lesão extratemporal do nervo facial, ou seja, após sua saída pelo forame estilomastoideo. Como o nervo petroso superficial maior (responsável pela lacrimação) se ramifica dentro do osso temporal, no gânglio geniculado, ele não é afetado por patologias que atingem o nervo facial na região da face ou parótida.
A topografia da lesão. Se a lesão for proximal ao gânglio geniculado (como em tumores do ângulo pontocerebelar ou fraturas de rochedo específicas), haverá xeroftalmia. Se for distal ao gânglio (como na paralisia de Bell clássica ou tumores de parótida), a produção lacrimal reflexa e basal via VII par costuma estar preservada, embora o fechamento palpebral possa estar comprometido.
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