INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Paciente, com 55 anos de idade, procurou consultório médico referindo o aparecimento de nódulo na região cervical à direita. O exame físico constatou que o paciente apresentava nódulo tireoideano à direita, de aproximadamente 6 cm. A ultrassonografia revelou nódulo isoecogênico, de 6 cm, no lobo inferior da tireoide. O estudo citológico, realizado em material colhido por punção aspirativa de agulha fina, foi sugestivo de carcinoma papilífero. O paciente foi então submetido a tireoidectomia, sem registro de intercorrências no ato operatório. No pós-operatório imediato o paciente passou a apresentar rouquidão e a laringoscopia realizada revelou paralisia de prega vocal à direita. Mediante o quadro clínico e considerando a anatomia cirúrgica, qual a causa prevalente de rouquidão nesses casos?
Rouquidão pós-tireoidectomia → Lesão do nervo laríngeo recorrente (ipsilateral).
A rouquidão imediata após cirurgia de tireoide sugere trauma ao nervo laríngeo recorrente, responsável pela inervação motora da laringe, exceto o músculo cricotireóideo.
A tireoidectomia é um procedimento cirúrgico comum, mas exige conhecimento anatômico preciso devido à proximidade do nervo laríngeo recorrente com a artéria tireóidea inferior e o ligamento de Berry. A identificação visual do nervo durante a dissecção é o padrão-ouro para prevenir lesões iatrogênicas. Fisiopatologicamente, a paralisia da prega vocal ocorre quando o estímulo motor para os músculos tireoaritenóideo, cricoaritenóideo lateral e posterior é interrompido. Em casos de tumores volumosos ou invasivos, como o carcinoma papilífero de 6 cm descrito, o risco de manipulação nervosa e consequente neuropraxia ou axonotmese aumenta significativamente.
O nervo laríngeo recorrente é um ramo do nervo vago que fornece inervação motora para quase todos os músculos intrínsecos da laringe, sendo crucial para a fonação e proteção das vias aéreas através da adução e abdução das pregas vocais.
A lesão do nervo laríngeo superior (ramo externo) causa perda de tons agudos e fadiga vocal por afetar o músculo cricotireóideo. Já a lesão do recorrente causa rouquidão franca (unilateral) ou estridor e insuficiência respiratória (se bilateral).
A conduta inicial envolve observação e fonoterapia, pois muitas lesões são neuropraxias temporárias. Se não houver recuperação em 6 a 12 meses, procedimentos de medialização da prega vocal (laringoplastia) podem ser indicados.
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