FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Com relação às neoplasias do intestino delgado, assinale a alternativa correta:
Alta concentração de IgA e linfócitos no delgado distal → sistema de imunovigilância protetor contra câncer.
O intestino delgado, apesar de sua grande extensão, possui baixa incidência de neoplasias comparado ao cólon, em parte devido ao trânsito rápido, baixa carga bacteriana e vigilância imunológica eficiente (IgA e células T).
As neoplasias do intestino delgado representam um desafio diagnóstico devido à sua raridade e sintomas inespecíficos, como dor abdominal vaga ou anemia ferropriva. O adenocarcinoma é frequentemente associado a condições como Doença de Crohn e Síndrome de Lynch, localizando-se preferencialmente no duodeno. Já os linfomas estão associados à doença celíaca e imunodeficiências. A compreensão dos mecanismos de proteção natural do delgado, como o pH alcalino e a enzima benzopireno hidroxilase (que desintoxica carcinógenos), é fundamental para entender a fisiopatologia dessas doenças.
A raridade das neoplasias no intestino delgado, comparada ao cólon, é atribuída a vários fatores: o conteúdo luminal é líquido e diluído, reduzindo a irritação mecânica; o trânsito é rápido, diminuindo o tempo de contato com carcinógenos; a carga bacteriana é menor, gerando menos metabólitos tóxicos; e há uma alta concentração de tecidos linfoides e IgA secretória, que promovem uma vigilância imunológica eficaz contra células malignas.
Os quatro tipos histológicos principais de tumores malignos no intestino delgado são o adenocarcinoma (mais comum no duodeno), os tumores neuroendócrinos (carcinoides, mais comuns no íleo), os linfomas e os tumores estromais gastrointestinais (GIST). A incidência de adenocarcinomas e tumores neuroendócrinos tem mostrado tendência de aumento em algumas séries históricas recentes.
A IgA secretória, presente em altas concentrações na mucosa do intestino delgado, especialmente no íleo (placas de Peyer), atua neutralizando antígenos e patógenos, além de modular a resposta inflamatória. Essa robusta presença de células B e linfócitos T constitui um sistema de imunovigilância que identifica e elimina células com potencial neoplásico antes que se tornem tumores clinicamente detectáveis.
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