NTG Pós-Molar: Diagnóstico pelo Platô de hCG e Conduta

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025

Enunciado

Paciente G2 PN1 A0, IG de 9 semanas por DUM, com queixa de sangramento recorrente, realizou USG TV. O exame revelou cavidade endometrial preenchida por material ecogênico, contendo múltiplas vesículas anecoicas de diferentes tamanhos, sem fluxo do Doppler. O esvaziamento uterino foi realizado com aspiração a vácuo e ela está em acompanhamentos ambulatorial, realizando dosagens semanais de hCG. Depois de 2 semanas com valores em queda, apresentou níveis de hCG estáveis em 3 doses consecutivas (dias 1, 7 e 14 - contados a partir do início do platô). Qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Manter seguimento com dosagem de hCG semanal por até 6 meses, desde que não ocorra elevação superior a 10%.
  2. B) Repetir hCG em 1 semana (dia 21), se o platô persistir, existe critério para diagnóstico de neoplasia trofoblástica.
  3. C) Solicitar novo USG TV, se for observado espessamento endometrial, indicar novo esvaziamento com curetagem.
  4. D) Indicar aplicação de Metrotexate via intramuscular hoje e realizar nova dosagem de hCG depois de três dias.

Pérola Clínica

Platô de hCG em 3 medidas semanais consecutivas pós-esvaziamento molar → diagnóstico de Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG).

Resumo-Chave

O diagnóstico de Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) pós-molar é bioquímico, baseado na curva do hCG. Um platô (variação <10%) em 3 valores semanais consecutivos (dias 1, 7, 14) é um critério da FIGO para o diagnóstico e indicação de quimioterapia.

Contexto Educacional

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) é um grupo de tumores raros derivados do tecido trofoblástico da placenta. A forma mais comum é a mola hidatiforme. Após o esvaziamento uterino, é mandatório o seguimento com dosagens seriadas de beta-hCG para monitorar a remissão ou a progressão para Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG), que ocorre em cerca de 15-20% dos casos de mola completa. O diagnóstico de NTG pós-molar é estabelecido pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) com base em critérios bioquímicos. A presença de um platô nos níveis de hCG (variação <10% em 4 medidas por 3 semanas) ou uma elevação (>10% em 3 medidas por 2 semanas) confirma o diagnóstico e indica a necessidade de tratamento, mesmo na ausência de doença visível em exames de imagem. Essa abordagem permite a intervenção precoce, melhorando significativamente o prognóstico. Uma vez diagnosticada, a NTG é estadiada e classificada em baixo ou alto risco através do sistema de escore da FIGO/OMS. Pacientes de baixo risco, como a do caso, são tratadas com quimioterapia de agente único (Metotrexato ou Actinomicina-D) com taxas de cura próximas a 100%. O acompanhamento continua com hCG seriado durante e após o tratamento para confirmar a remissão completa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios da FIGO para diagnosticar NTG pós-molar?

Os critérios incluem: platô dos níveis de hCG por 4 medidas em 3 semanas (dias 1, 7, 14, 21); elevação dos níveis de hCG em 3 medidas consecutivas em 2 semanas (dias 1, 7, 14); persistência de hCG detectável por 6 meses ou mais; ou diagnóstico histológico de coriocarcinoma.

Qual a conduta após o diagnóstico de NTG de baixo risco?

Após o estadiamento e classificação como de baixo risco (escore FIGO ≤ 6), a conduta é iniciar quimioterapia com agente único, sendo o Metotrexato o esquema de primeira linha mais comum, até a normalização do hCG e ciclos de consolidação.

Como diferenciar um platô de hCG de uma queda fisiológica lenta?

A queda fisiológica do hCG após esvaziamento molar é tipicamente logarítmica e contínua. Um platô é definido por uma variação inferior a 10% (aumento ou queda) em 4 medidas por 3 semanas, indicando persistência de tecido trofoblástico metabolicamente ativo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo