Neoplasia Trofoblástica Gestacional: Manejo Inicial

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Em paciente multigesta, no primeiro trimestre gestacional, o exame ecográfico de rotina revelou tratar-se de Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) anembrionada não metastática. A idade gestacional é de 11 semanas e o útero pode ser palpado 2 cm acima da sínfise púbica. Qual a conduta a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Confirmar o diagnóstico com dosagem seriada do beta-hCG.
  2. B) Proceder ao esvaziamento uterino.
  3. C) Internar e realizar quimioterapia profilática.
  4. D) Realizar histerectomia abdominal.

Pérola Clínica

NTG anembrionada não metastática → esvaziamento uterino é a conduta inicial.

Resumo-Chave

A Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG), incluindo a mola hidatiforme, requer esvaziamento uterino como tratamento inicial para remover o tecido trofoblástico anormal. Mesmo em casos anembrionados e não metastáticos, a remoção é essencial para prevenir complicações e a progressão para doença persistente ou maligna.

Contexto Educacional

A Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) é um espectro de doenças que se originam da proliferação anormal do trofoblasto, incluindo a mola hidatiforme (completa ou parcial), mola invasora, coriocarcinoma e tumor trofoblástico de sítio placentário. A mola hidatiforme anembrionada é uma forma rara, mas que se enquadra no espectro da NTG, exigindo manejo adequado. O diagnóstico precoce é fundamental para um bom prognóstico. O diagnóstico da NTG é frequentemente feito por ultrassonografia, que revela achados característicos como a ausência de embrião (em casos anembrionados) e a presença de múltiplas vesículas císticas no útero, o que confere a aparência de "cacho de uvas". A dosagem de beta-hCG sérico é crucial, pois os níveis costumam estar muito elevados e desproporcionais à idade gestacional. A suspeita deve surgir em gestantes com sangramento vaginal no primeiro trimestre, útero maior que o esperado para a idade gestacional ou níveis de beta-hCG anormalmente altos. A conduta inicial para a NTG anembrionada não metastática, como no caso da mola hidatiforme, é o esvaziamento uterino. Este procedimento é geralmente realizado por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem a vácuo, sendo preferível à curetagem instrumental. A histerectomia é uma opção para mulheres que não desejam mais gestar e que apresentam alto risco de doença persistente. A quimioterapia profilática não é recomendada de rotina. Após o esvaziamento, o seguimento rigoroso com dosagens seriadas de beta-hCG é essencial para monitorar a regressão da doença e detectar precocemente a doença trofoblástica gestacional persistente, que pode requerer quimioterapia.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do esvaziamento uterino na Neoplasia Trofoblástica Gestacional?

O esvaziamento uterino é o tratamento inicial e mais importante para a NTG, pois remove o tecido trofoblástico anormal, reduzindo o risco de complicações como hemorragia e a progressão para doença trofoblástica gestacional persistente ou maligna.

Como é feito o seguimento após o esvaziamento uterino de uma mola hidatiforme?

O seguimento envolve a dosagem seriada do beta-hCG sérico semanalmente até a normalização e, posteriormente, mensalmente por um período de 6 a 12 meses, para detectar precocemente qualquer persistência ou recorrência da doença.

Quando a quimioterapia é indicada na Neoplasia Trofoblástica Gestacional?

A quimioterapia é indicada para casos de doença trofoblástica gestacional persistente, maligna (como o coriocarcinoma) ou metastática, após o esvaziamento uterino, quando os níveis de beta-hCG não regridem adequadamente ou há evidência de metástases.

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