AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Paciente do sexo masculino de 18 anos consulta por aumento de volume na região escrotal. Tem histórico de criptorquidia. Ultrassom evidenciou massa hipoecogênica testicular, sugestiva de neoplasia de testículo. Sobre o assunto, analise as assertivas abaixo:I. É o tumor sólido mais curável, com taxa de sobrevida superior a 95% em 10 anos.II. Os marcadores tumorais utilizados para diagnóstico e acompanhamento são o beta HCG e a alfafetoproteína.III. Os sobreviventes ao tratamento com quimioterapia e radioterapia têm um risco aumentado para o desenvolvimento de neoplasias hematológicas no futuro. Quais estão corretas?
Neoplasia testicular: + curável, marcadores (β-HCG, AFP), risco secundário pós-QT/RT.
O câncer de testículo é altamente curável, especialmente quando diagnosticado precocemente. A criptorquidia é um fator de risco importante. Marcadores tumorais como beta-HCG e alfafetoproteína são essenciais para diagnóstico e acompanhamento. O tratamento, embora eficaz, pode aumentar o risco de neoplasias secundárias a longo prazo.
A neoplasia de testículo é o câncer sólido mais comum em homens jovens, com pico de incidência entre 15 e 35 anos. Apesar de sua gravidade, é um dos tumores mais curáveis, com taxas de sobrevida global superiores a 95% em 10 anos, especialmente quando diagnosticado precocemente. A criptorquidia é um fator de risco bem estabelecido, aumentando o risco em 3 a 14 vezes, mesmo após a correção cirúrgica. O diagnóstico inicial geralmente envolve o exame físico, que revela uma massa testicular indolor, e a ultrassonografia escrotal, que confirma a presença da massa e sua natureza. Marcadores tumorais séricos como beta-HCG e alfafetoproteína (AFP) são cruciais para o diagnóstico, estadiamento e acompanhamento. A biópsia testicular é contraindicada devido ao risco de disseminação, sendo a orquiectomia inguinal o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento inicial. O tratamento varia conforme o tipo histológico (seminoma ou não seminoma) e o estágio, podendo incluir orquiectomia, quimioterapia e/ou radioterapia. Embora altamente eficaz, o tratamento pode ter efeitos a longo prazo. Sobreviventes de quimioterapia e radioterapia têm um risco ligeiramente aumentado para o desenvolvimento de neoplasias hematológicas secundárias, como leucemias, e outras complicações, o que ressalta a importância do acompanhamento oncológico prolongado e da vigilância para essas condições.
O principal fator de risco para neoplasia de testículo é a criptorquidia (testículo não descido), mesmo após orquidopexia. Outros fatores incluem história familiar de câncer testicular, infertilidade e síndrome de Klinefelter.
Os principais marcadores tumorais são a alfafetoproteína (AFP), a gonadotrofina coriônica humana beta (beta-HCG) e a lactato desidrogenase (LDH). Eles são úteis para o diagnóstico, estadiamento e monitoramento da resposta ao tratamento e recorrência.
Sobreviventes de câncer de testículo tratados com quimioterapia e radioterapia podem ter um risco aumentado de infertilidade, doenças cardiovasculares, disfunção renal e, em menor grau, desenvolvimento de neoplasias secundárias, especialmente hematológicas, exigindo acompanhamento oncológico prolongado.
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