USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem de 22 anos, com história de trauma escrotal leve há 40 dias. Antecedente de criptorquidia. O exame físico revelou a presença de testículo esquerdo aumentado, indolor com nódulo endurecido. Qual a suspeita clínica e a conduta?
Massa testicular indolor + criptorquidia prévia → suspeita alta de neoplasia testicular.
A presença de uma massa testicular indolor, especialmente em um paciente com histórico de criptorquidia (fator de risco importante), deve levantar forte suspeita de neoplasia testicular. A investigação inicial inclui ultrassonografia escrotal e dosagem de marcadores tumorais séricos.
A neoplasia testicular é o câncer mais comum em homens jovens (15 a 35 anos) e, embora relativamente rara, sua incidência tem aumentado. O diagnóstico precoce é crucial para o sucesso do tratamento. A criptorquidia, mesmo quando corrigida cirurgicamente, é o fator de risco mais significativo, aumentando o risco em 3 a 14 vezes. Outros fatores incluem história familiar e síndromes genéticas. A apresentação clínica clássica é uma massa ou inchaço indolor no testículo, que pode ser percebida pelo próprio paciente durante o autoexame. Dor, embora menos comum, pode ocorrer em 10% dos casos, geralmente associada a hemorragia intratumoral ou infarto. O trauma escrotal, como no caso, raramente causa câncer, mas pode levar à descoberta de uma massa pré-existente. A investigação diagnóstica começa com o exame físico, que revela um testículo aumentado, endurecido e, muitas vezes, com um nódulo palpável. A ultrassonografia escrotal é o método de imagem de escolha, confirmando a presença da massa, sua localização e características. A dosagem de marcadores tumorais séricos (alfafetoproteína, beta-HCG e LDH) é fundamental para o estadiamento e acompanhamento. A biópsia testicular percutânea é contraindicada devido ao risco de disseminação tumoral; o diagnóstico definitivo e o tratamento inicial são feitos por orquiectomia inguinal radical.
Os principais fatores de risco para neoplasia testicular incluem criptorquidia (mesmo após orquidopexia), história familiar de câncer testicular, síndrome de Klinefelter e história prévia de neoplasia em outro testículo.
A investigação inicial deve incluir ultrassonografia escrotal para confirmar a massa e avaliar suas características, e dosagem sérica de marcadores tumorais como alfafetoproteína (AFP), beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana) e desidrogenase láctica (LDH).
A neoplasia testicular geralmente se apresenta como uma massa indolor, endurecida e não responsiva a antibióticos. A orquiepididimite, por outro lado, cursa com dor aguda, inchaço, eritema, calor local e frequentemente febre, com melhora após antibioticoterapia.
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