MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 24 anos procura atendimento médico após notar, durante o autoexame, um pequeno nódulo endurecido no testículo esquerdo. Ele relata que a alteração é indolor e que não houve trauma local, febre ou sintomas urinários associados. Ao exame físico, o médico identifica um nódulo de aproximadamente 1,5 cm, de consistência firme, fixo ao parênquima do testículo esquerdo, sem sinais inflamatórios na bolsa escrotal. O testículo direito e os epidídimos não apresentam alterações à palpação. Não há linfonodomegalias inguinais detectáveis. Diante da principal suspeita clínica, qual é a conduta inicial mais adequada?
Nódulo testicular endurecido e indolor em jovem = Câncer de testículo até que se prove o contrário.
A avaliação inicial de uma massa testicular sólida suspeita exige ultrassonografia com Doppler para confirmar a localização intratesticular e a vascularização, seguida de marcadores tumorais.
O câncer de testículo é a neoplasia sólida mais comum em homens entre 15 e 35 anos. A maioria deriva de células germinativas, dividindo-se em seminomas e não-seminomas. O quadro clínico clássico é de um nódulo endurecido, fixo e indolor, muitas vezes descoberto pelo próprio paciente durante o autoexame. A ausência de sintomas inflamatórios (dor, calor, rubor) ajuda a diferenciar de orquiepididimites, embora em 10% dos casos possa haver dor aguda por hemorragia intratumoral. A abordagem diagnóstica deve ser rápida. Após a confirmação ultrassonográfica de uma massa sólida intratesticular, deve-se proceder com a coleta de marcadores tumorais e o planejamento da orquiectomia radical. O estadiamento é completado com tomografias de tórax, abdome e pelve para avaliar metástases linfonodais retroperitoneais ou viscerais. O prognóstico é excelente, com taxas de cura superiores a 95% quando diagnosticado precocemente.
A ultrassonografia de bolsa escrotal com Doppler é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade (quase 100%) para detectar massas intratesticulares. Ela permite diferenciar lesões sólidas (altamente suspeitas de malignidade) de lesões císticas, hidroceles ou espermatoceles. O Doppler avalia a vascularização da massa; tumores malignos geralmente apresentam hipervascularização. Além disso, a USG ajuda a avaliar o testículo contralateral e o epidídimo, fornecendo informações cruciais para o planejamento cirúrgico e estadiamento inicial.
Os principais marcadores são a Alfa-fetoproteína (AFP), a subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG) e a desidrogenase lática (DHL). A AFP nunca está elevada em seminomas puros; sua elevação indica componente de tumor de saco vitelino ou carcinoma embrionário. O beta-hCG pode estar elevado tanto em seminomas quanto em não-seminomas. A DHL é um marcador inespecífico de carga tumoral e proliferação celular. Esses marcadores são essenciais para o diagnóstico, estadiamento (S da classificação TNM) e acompanhamento pós-operatório.
O tratamento padrão-ouro inicial é a orquiectomia radical por via inguinal. A via inguinal é mandatória para permitir o clampeamento precoce do cordão espermático e evitar a disseminação de células tumorais. A biópsia pré-operatória é contraindicada pelo risco de quebra da barreira linfática (o testículo drena para linfonodos retroperitoneais, enquanto o escroto drena para inguinais). Após a cirurgia, o tratamento complementar (vigilância, quimioterapia ou radioterapia) dependerá do tipo histológico e do estadiamento patológico.
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