Icterícia Indolor e Sinal de Courvoisier: Alerta para Câncer

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 71 anos, tabagista crônica, internada para investigação de síndrome ictérica de padrão colestático. Queixa-se de aparecimento progressivo de icterícia, aproximadamente há 1 mês, associada a perda ponderal de 9 kg. Nega febre. Nega dor abdominal. Ao exame físico: ictérica +++/4+, descorada ++/4+, vesícula biliar palpável e indolor.A provável hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) tumor de Klatskin.
  2. B) neoplasia periampular.
  3. C) retocolite ulcerativa.
  4. D) hepatite viral.

Pérola Clínica

Icterícia progressiva indolor + perda ponderal + vesícula palpável e indolor (Courvoisier) → neoplasia periampular.

Resumo-Chave

A tríade de icterícia progressiva indolor, perda ponderal e sinal de Courvoisier-Terrier (vesícula biliar palpável e indolor) é altamente sugestiva de uma neoplasia periampular, como câncer de cabeça de pâncreas ou ampola de Vater, que causa obstrução distal do ducto biliar comum.

Contexto Educacional

A síndrome ictérica de padrão colestático, especialmente quando indolor e associada a perda ponderal, é um sinal de alerta para malignidade, particularmente em pacientes idosos e com fatores de risco como tabagismo. A icterícia progressiva, que se instala ao longo de semanas, sem dor abdominal ou febre, aponta para uma obstrução biliar de natureza neoplásica. A fisiopatologia envolve o crescimento tumoral que comprime ou invade o ducto biliar comum, impedindo o fluxo de bile e levando ao acúmulo de bilirrubina conjugada. O exame físico é crucial, e a presença do Sinal de Courvoisier-Terrier – uma vesícula biliar palpável e indolor – é um achado clássico e de grande valor diagnóstico. Este sinal indica que a obstrução do ducto biliar comum é distal ao ducto cístico e é causada por uma massa (geralmente maligna), permitindo que a vesícula se distenda. Em contraste, a obstrução por cálculos biliares geralmente resulta em uma vesícula fibrótica e impalpável devido a episódios inflamatórios prévios. As neoplasias periampulares, que incluem o câncer de cabeça de pâncreas, o colangiocarcinoma distal, o adenocarcinoma da ampola de Vater e o câncer de duodeno, são as principais causas desse quadro clínico. O manejo envolve investigação diagnóstica por exames de imagem (ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, CPRE/CPT) e biópsia para confirmação histopatológica. O tratamento definitivo, quando possível, é cirúrgico, mas a apresentação tardia da doença frequentemente limita as opções curativas, tornando o prognóstico desafiador.

Perguntas Frequentes

O que é o Sinal de Courvoisier-Terrier e qual sua importância diagnóstica?

É a presença de uma vesícula biliar palpável e indolor em um paciente com icterícia obstrutiva. Sugere que a obstrução do ducto biliar comum é causada por uma massa maligna distal (como câncer de cabeça de pâncreas ou ampola), e não por cálculos, que geralmente causam fibrose e atrofia da vesícula.

Quais são as principais causas de icterícia obstrutiva indolor com perda ponderal?

As principais causas são as neoplasias periampulares, que incluem câncer de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma distal, adenocarcinoma de ampola de Vater e câncer de duodeno. A ausência de dor e a perda de peso são características de malignidade.

Como diferenciar um tumor de Klatskin de uma neoplasia periampular?

O tumor de Klatskin é um colangiocarcinoma hilar (proximal), que geralmente não causa dilatação da vesícula biliar e, portanto, não se associa ao sinal de Courvoisier-Terrier. As neoplasias periampulares, por outro lado, obstruem o ducto biliar comum distalmente, levando à dilatação da vesícula.

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