UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022
Paciente de 62 anos, sexo masculino, apresenta história de perda de cerca de 8 kg nos últimos 4 meses, evoluindo com icterícia progressiva, prurido generalizado e colúria há 10 dias, associado a leve dor em abdome superior. Refere HAS controlada, nega cirurgias abdominais prévias, nega etilismo. Ao exame físico, evidencia-se icterícia 3+/4+, abdome plano, massa palpável em hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais de entrada evidenciaram bilirrubinas totais de 15,2 mg/dL (direta 13,2 mg/dL), gama GT 780 U/L, fosfatase alcalina 920 U/L, leucograma 13100 GB (2% bastões), hemoglobina 13,6 g/dL, amilase 56 U/L. Submetido a colangiorressonância magnética, que evidenciou dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas, devido à presença de lesão expansiva em cabeça do pâncreas com 2 cm em seu maior diâmetro, sugestiva de neoplasia periamular. Assinale a alternativa incorreta em relação a este tipo de tumor:
Neoplasia periampular: icterícia obstrutiva, perda de peso, massa palpável. CA 19-9 NÃO é exclusivo, eleva-se em outras condições.
Tumores periampulares, como o adenocarcinoma de pâncreas, manifestam-se com icterícia obstrutiva progressiva, perda de peso e dor abdominal. O CA 19-9 é um marcador tumoral útil para monitoramento e prognóstico, mas não é exclusivo para neoplasias pancreáticas, podendo estar elevado em condições benignas ou outras malignidades.
As neoplasias periampulares são um grupo heterogêneo de tumores que surgem na região da ampola de Vater, incluindo a cabeça do pâncreas, ampola propriamente dita, ducto biliar distal e duodeno. O adenocarcinoma de pâncreas é o tipo histológico mais comum e o de pior prognóstico. A importância clínica reside na sua apresentação tardia e na alta mortalidade, sendo a icterícia obstrutiva o sintoma mais comum. A fisiopatologia envolve o crescimento tumoral que obstrui o fluxo biliar e/ou pancreático, levando a icterícia, colúria, prurido e má absorção. A perda de peso é comum devido à má absorção e ao catabolismo tumoral. O diagnóstico é feito pela combinação de clínica, exames laboratoriais (bilirrubinas, enzimas hepáticas) e exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e colangiorressonância magnética, que evidenciam a dilatação das vias biliares e a lesão expansiva. O tratamento curativo para tumores ressecáveis é a duodenopancreatectomia cefálica (cirurgia de Whipple). Em casos de tumores localmente avançados ou metastáticos, o tratamento é paliativo, visando aliviar a obstrução biliar (com stents) e a dor. A dupla derivação (biliodigestiva e gastrojejunostomia) é indicada para pacientes com obstrução biliar e duodenal. O marcador CA 19-9 é útil para monitoramento pós-operatório e prognóstico, mas sua falta de especificidade impede o uso como ferramenta diagnóstica exclusiva.
Os sintomas clássicos incluem icterícia progressiva, prurido generalizado, colúria, acolia fecal, perda de peso inexplicada e dor abdominal superior leve.
A duodenopancreatectomia cefálica (cirurgia de Whipple) é a única opção curativa para tumores ressecáveis localizados na cabeça do pâncreas ou região periampular.
O CA 19-9 pode estar elevado em outras malignidades (colangiocarcinoma, câncer gástrico, colorretal) e em condições benignas como pancreatite aguda ou crônica, colangite, cirrose biliar primária e obstrução biliar.
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