Tumores de Apêndice: Diagnóstico e Comportamento Clínico

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 28 anos de idade, previamente hígido, procurou a unidade de pronto atendimento com queixa de dor abdominal há três dias, localizada inicialmente na região periumbilical, que posteriormente se intensificou e migrou para a fossa ilíaca direita. Associado ao quadro, relata febre (38,5 °C), náuseas e um episódio de vômito. Refere diminuição do apetite e constipação nos últimos dois dias. Nega sintomas urinários ou outros desconfortos abdominais prévios. Informou que a mãe tem história de câncer colorretal aos 56 anos de idade. Ao exame físico, os sinais vitais na admissão são PA = 120 mmHg X 70 mmHg, FC = 104 bpm, FR = 20 irpm, temperatura 38,2 ºC e SatO2 = 97%. Abdome levemente distendido, com dor à descompressão brusca em fossa ilíaca direita e defesa muscular localizada. Exames laboratoriais evidenciaram leucocitose = 15.200/mm³ sem desvio, PCR = 15 mg/dL, função renal e eletrólitos normais. Realizou tomografia computadorizada de abdome com contraste que evidenciou apêndice dilatado e cístico com 4,0 cm de diâmetro, calcificações e espessamento irregular na parede.Com relação aos tumores primários de apêndice, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Os carcinoides apendiculares são tumores que se originam nas células glandulares do epitélio, e a maioria exibe comportamento maligno.
  2. B) No apêndice, os tumores carcinoides são mais comuns do que os tumores mucinosos.
  3. C) Tumores primários do apêndice são comuns e geralmente são diagnosticados e estadiados no préoperatório, visando sempre a uma abordagem oncológica adequada.
  4. D) Quase todos os pacientes têm disseminação peritoneal de células tumorais no momento do diagnóstico. Porém, a maioria dessas neoplasias não é invasiva. Metástases para o fígado e nodais são incomuns. Já a recidiva locorregional é típica.

Pérola Clínica

Neoplasia mucinosa apendicular → disseminação peritoneal comum, mas invasão tecidual e metástases nodais raras.

Resumo-Chave

Tumores apendiculares são frequentemente achados incidentais em apendicectomias. Enquanto carcinoides são neuroendócrinos, os mucinosos podem causar pseudomixoma peritoneal sem necessariamente serem invasivos.

Contexto Educacional

As neoplasias primárias do apêndice cecal são raras, ocorrendo em menos de 1% das apendicectomias. Elas se dividem principalmente em tumores neuroendócrinos (carcinoides) e tumores epiteliais (mucinosos e não mucinosos). A apresentação clínica mimetiza a apendicite aguda devido à obstrução do lúmen apendicular pelo crescimento tumoral ou pelo acúmulo de muco. A compreensão do comportamento biológico é crucial: as neoplasias mucinosas de baixo grau (LAMN) têm uma propensão única para a disseminação peritoneal (pseudomixoma), mas raramente metastatizam por via linfática ou hematogênica. Já os carcinoides, se menores que 1 cm, raramente exigem mais do que a apendicectomia simples, enquanto lesões maiores ou com invasão de mesoapêndice podem requerer hemicolectomia direita oncológica.

Perguntas Frequentes

Qual o tipo mais comum de tumor primário do apêndice?

Historicamente, os tumores carcinoides (neuroendócrinos) eram considerados os mais comuns, frequentemente localizados na ponta do apêndice e descobertos incidentalmente. No entanto, classificações recentes e o aumento de diagnósticos de neoplasias mucinosas (LAMN e HAMN) têm equilibrado essa prevalência. Os carcinoides originam-se de células neuroendócrinas, não glandulares, e seu prognóstico depende fortemente do tamanho da lesão (especialmente se > 2 cm).

O que caracteriza o pseudomixoma peritoneal?

O pseudomixoma peritoneal é uma condição clínica caracterizada pelo acúmulo de material mucinoso (ascite gelatinosa) na cavidade abdominal, geralmente decorrente da ruptura de uma neoplasia mucinosa do apêndice. Curiosamente, muitas dessas células produtoras de muco que se disseminam pelo peritônio não apresentam comportamento invasivo agressivo ou metástases hematogênicas, mas causam morbidade pela compressão mecânica dos órgãos abdominais.

Como é feito o diagnóstico pré-operatório dos tumores de apêndice?

O diagnóstico pré-operatório é extremamente difícil, pois a maioria dos pacientes se apresenta com sintomas indistinguíveis de uma apendicite aguda comum. Achados tomográficos como um apêndice com diâmetro > 15 mm, calcificações na parede ou a presença de um mucocele podem sugerir neoplasia, mas a confirmação definitiva é quase sempre histopatológica após a apendicectomia inicial.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo