INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Mulher com 45 anos de idade, cor branca, multípara, proveniente de zona rural, procura consulta ginecológica com queixa de peso na região pélvica há cerca de 60 dias, perda de peso corporal e distensão abdominal. A paciente não faz uso de método contraceptivo oral e não apresenta dismenorreia. A paciente tem antecedente de neoplasia maligna de mama e a mãe, história de câncer de ovário. Ao exame, observou-se massa palpável em anexo esquerdo. De acordo com o exame clínico e com os antecedentes pessoais e familiares informados pela paciente, qual a principal hipótese diagnóstica?
Massa anexial + Perda de peso + Histórico familiar (Mama/Ovário) = Neoplasia Maligna.
A tríade de massa pélvica, sintomas constitucionais e forte histórico familiar sugere fortemente malignidade epitelial de ovário, frequentemente associada a mutações BRCA.
O câncer de ovário é frequentemente chamado de 'assassino silencioso' porque os sintomas iniciais são vagos e inespecíficos, como empachamento e desconforto pélvico, levando ao diagnóstico em estádios avançados (III ou IV) em 70% dos casos. A paciente do caso apresenta 'red flags' clássicos: idade (45 anos), sintomas constitucionais e um histórico familiar fortíssimo (mãe com câncer de ovário e ela própria com câncer de mama), o que aponta para uma predisposição genética. O manejo inicial envolve estadiamento cirúrgico completo e citorredução, seguidos geralmente por quimioterapia baseada em platina. O reconhecimento precoce desses fatores de risco pelo ginecologista é crucial para o encaminhamento ao oncologista ginecológico e para o aconselhamento genético da família.
Os principais fatores de risco incluem a idade avançada (maior incidência após a menopausa), nuliparidade, menarca precoce e menopausa tardia (maior número de ciclos ovulatórios). No entanto, o fator de risco mais significativo é o histórico familiar, especialmente em parentes de primeiro grau. Cerca de 10-15% dos casos estão ligados a síndromes hereditárias, como a Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário (mutações nos genes BRCA1 e BRCA2) e a Síndrome de Lynch.
A diferenciação baseia-se em critérios clínicos e ultrassonográficos. Massas malignas tendem a ser sólidas ou complexas (cístico-sólidas), multiloculadas, com septos espessos (>3mm), vegetações internas e presença de ascite ou fluxo de baixa resistência ao Doppler. Clinicamente, a malignidade é sugerida por crescimento rápido, fixidez da massa ao exame pélvico e sintomas constitucionais como perda de peso e distensão abdominal (ascite).
O CA-125 é um marcador tumoral útil, mas não é específico para câncer de ovário, podendo elevar-se em condições benignas como endometriose, miomatose e doença inflamatória pélvica, especialmente em mulheres pré-menopausadas. Sua principal utilidade é no acompanhamento da resposta ao tratamento e na detecção de recidivas em pacientes já diagnosticadas. Em mulheres pós-menopausadas com massa anexial, um CA-125 elevado aumenta significativamente a suspeita de malignidade.
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