Neoplasia Lobular In Situ: Manejo e Quimioprevenção

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 44 anos, eumenorreica, assintomática, realizou mamografia e ultrassom de mamas que identificaram cistos simples bilaterais menores que 5 mm e calcificações redondas isoladas bilaterais. Exame físico normal. mamoplastia redutora (cirurgia estética) cujo resultado patológico identificou, em mama direita, neoplasia lobular in situ grau 3, com a margem cirúrgica lateral coincidente. Dentre as alternativas abaixo, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Quadrantectomia a direita e radioterapia adjuvante.
  2. B) Mastectomia direita com biópsia do linfonodo sentinela.
  3. C) Biópsia do linfonodo sentinela e radioterapia adjuvante.
  4. D) Tamoxifeno 20 mg/dia por 5 anos.
  5. E) Controle clínico e ultrassonográfico anual.

Pérola Clínica

NLIS = lesão de risco, não câncer invasivo; conduta principal é quimioprevenção com Tamoxifeno.

Resumo-Chave

A Neoplasia Lobular In Situ (NLIS) é considerada um marcador de risco para o desenvolvimento futuro de câncer de mama invasivo em ambas as mamas, e não uma lesão pré-maligna obrigatória. A conduta principal é a quimioprevenção com Tamoxifeno, que reduz significativamente esse risco.

Contexto Educacional

A Neoplasia Lobular In Situ (NLIS), também conhecida como Carcinoma Lobular In Situ (CLIS), é uma proliferação clonal de células atípicas dentro dos lóbulos mamários. Diferente do Carcinoma Ductal In Situ (CDIS), a NLIS não é considerada uma lesão pré-maligna obrigatória, mas sim um marcador de risco para o desenvolvimento de câncer de mama invasivo (ductal ou lobular) em qualquer uma das mamas, com um risco relativo de 8 a 10 vezes maior em comparação com a população geral. O achado de NLIS, especialmente em grau 3 e com margem coincidente após uma mamoplastia redutora, indica a necessidade de manejo do risco. A conduta principal para pacientes com NLIS é a quimioprevenção, sendo o Tamoxifeno 20 mg/dia por 5 anos a opção mais bem estabelecida. O Tamoxifeno, um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM), demonstrou reduzir significativamente a incidência de câncer de mama invasivo em mulheres de alto risco. É crucial que residentes compreendam que a NLIS não exige cirurgias mais radicais como quadrantectomia ou mastectomia, nem radioterapia adjuvante, a menos que haja outras indicações. O foco é na vigilância clínica e mamográfica regular, além da discussão sobre a quimioprevenção, que é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de câncer invasivo futuro.

Perguntas Frequentes

O que é a Neoplasia Lobular In Situ (NLIS) e qual sua importância clínica?

A NLIS é uma proliferação de células atípicas nos lóbulos mamários. Não é um câncer invasivo, mas um marcador de risco aumentado para o desenvolvimento futuro de carcinoma invasivo em qualquer uma das mamas, sendo mais um fator de risco do que uma lesão pré-maligna direta.

Por que o Tamoxifeno é a conduta indicada para NLIS?

O Tamoxifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM) que atua como quimiopreventivo, reduzindo o risco de desenvolvimento de câncer de mama invasivo em pacientes com alto risco, como as com NLIS, por bloquear os receptores de estrogênio nas células mamárias.

A NLIS exige cirurgia adicional ou radioterapia?

Geralmente não. A NLIS não é um câncer invasivo e não requer ressecção cirúrgica com margens amplas ou radioterapia adjuvante, a menos que haja evidência de carcinoma invasivo ou ductal in situ associado. O manejo foca na vigilância e quimioprevenção.

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