Neoplasia Lobular In Situ: Conduta Clínica e Quimioprevenção

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 44 anos, eumenorreica, assintomática, realizou mamografia e ultrassom de mamas que identificaram cistos simples bilaterais menores que 5 mm e calcificações redondas isoladas bilaterais. Exame físico normal. Realizou mamoplastia redutora (cirurgia estética) cujo resultado patológico identificou, em mama direita, neoplasia lobular in situ grau 3, com a margem cirúrgica lateral coincidente. Dentre as alternativas abaixo, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Quadrantectomia a direita e radioterapia adjuvante.
  2. B) Mastectomia direita com biópsia do linfonodo sentinela.
  3. C) Biópsia do linfonodo sentinela e radioterapia adjuvante.
  4. D) Tamoxifeno 20 mg/dia por 5 anos.
  5. E) Controle clínico e ultrassonográfico anual.

Pérola Clínica

Neoplasia lobular in situ = marcador de risco bilateral → Quimioprevenção (Tamoxifeno) + Vigilância.

Resumo-Chave

A neoplasia lobular in situ (LNIS) é considerada um marcador de risco para o desenvolvimento de carcinoma invasor em ambas as mamas, não exigindo margens livres ou radioterapia.

Contexto Educacional

A neoplasia lobular in situ (LNIS) compreende um espectro de lesões que inclui a hiperplasia lobular atípica e o carcinoma lobular in situ (CLIS) clássico. Historicamente, era tratada com mastectomia bilateral, mas hoje é entendida como um marcador de risco. O risco de desenvolver carcinoma invasor após um diagnóstico de LNIS é de cerca de 1% ao ano, distribuído igualmente entre as duas mamas. Em casos de achados incidentais em cirurgias estéticas, como a mamoplastia redutora, a conduta deve ser conservadora em relação à cirurgia, mas ativa em relação à prevenção. O Tamoxifeno é a droga de escolha para mulheres na pré-menopausa, enquanto inibidores da aromatase podem ser considerados na pós-menopausa, visando mitigar o risco aumentado de malignidade futura.

Perguntas Frequentes

LNIS exige margens cirúrgicas livres?

Diferente do carcinoma ductal in situ (DCIS), a neoplasia lobular in situ (LNIS) clássica é considerada um marcador de risco e não um precursor direto obrigatório no local da biópsia. Por ser frequentemente multicêntrica e bilateral, a obtenção de margens livres não altera significativamente o prognóstico ou o risco futuro de câncer invasor. Portanto, na LNIS clássica achada incidentalmente, a ampliação de margens não é mandatória, focando-se o tratamento na redução de risco sistêmico.

Qual o benefício do Tamoxifeno na LNIS?

O uso de moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMs), como o Tamoxifeno, em pacientes com diagnóstico de LNIS reduz o risco de desenvolvimento de câncer de mama invasor em aproximadamente 50%. Esse benefício é observado tanto para a mama ipsilateral quanto para a contralateral. A dose padrão é de 20 mg/dia por um período de 5 anos, sendo uma estratégia fundamental de quimioprevenção em pacientes de alto risco.

Qual a diferença de conduta entre LNIS e DCIS?

O Carcinoma Ductal In Situ (DCIS) é uma lesão precursora direta que requer tratamento local definitivo com cirurgia (margens livres) e, frequentemente, radioterapia adjuvante para prevenir recorrência local. Já a Neoplasia Lobular In Situ (LNIS) clássica é um indicador de aumento de risco global para ambos os seios. A conduta para LNIS baseia-se em vigilância clínica/imagiológica rigorosa e quimioprevenção, sem necessidade de terapias locais agressivas.

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