HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Paciente masculino, 78 anos, refere já ter apresentado mais de 5 episódios de pancreatite aguda. Relata que, depois do segundo episódio, teve diagnóstico de barro biliar e foi submetido à colecistectomia videolaparoscópica. Desde então passou por diversos médicos, tendo o último solicitado uma ressonância magnética com colangio, que descreveu a via biliar livre de cálculos e mostrou a imagem apresentada no corte demonstrado a seguir:Diante do quadro clínico e do exame de imagem, assinale a principal hipótese diagnóstica.
Pancreatite aguda recorrente + lesão cística pancreática comunicante com ducto principal → suspeitar de Neoplasia Intrapapilar Mucinosa (IPMN).
A Neoplasia Intrapapilar Mucinosa (IPMN) é uma lesão cística pancreática pré-maligna que se comunica com o ducto pancreático principal ou seus ramos. Pode causar pancreatite aguda recorrente devido à obstrução intermitente dos ductos por muco ou fragmentos tumorais, sendo um diagnóstico importante em pacientes com pancreatite idiopática.
A pancreatite aguda recorrente é um desafio diagnóstico, especialmente quando as causas mais comuns (cálculos biliares, álcool) são excluídas. Nesses casos, é fundamental investigar etiologias menos frequentes, como as lesões císticas pancreáticas, entre as quais a Neoplasia Intrapapilar Mucinosa (IPMN) se destaca pelo seu potencial de malignidade e pela capacidade de causar pancreatite. A IPMN é uma lesão cística produtora de muco que se origina do epitélio ductal pancreático e se comunica com o sistema de ductos. A fisiopatologia da pancreatite associada à IPMN envolve a obstrução dos ductos pancreáticos pelo muco espesso ou por fragmentos tumorais, levando ao refluxo de enzimas e à inflamação. O diagnóstico é frequentemente feito por exames de imagem como a ressonância magnética com colangiopancreatografia (CPRM), que permite visualizar a comunicação da lesão cística com o ducto pancreático e avaliar as características do cisto. O tratamento da IPMN depende do seu tipo (ducto principal, secundário ou mista) e da presença de características de alto risco para malignidade. Lesões de ducto principal e aquelas com características suspeitas geralmente requerem ressecção cirúrgica devido ao alto risco de progressão para adenocarcinoma. O prognóstico está diretamente relacionado à detecção precoce e ao manejo adequado, sendo crucial a vigilância em pacientes com IPMN de ducto secundário sem critérios de alto risco.
A IPMN pode ser classificada em IPMN de ducto principal, IPMN de ducto secundário ou IPMN mista. A IPMN de ducto principal e a mista têm maior risco de malignidade e requerem vigilância ou ressecção.
A IPMN pode causar pancreatite aguda recorrente devido à produção excessiva de muco que obstrui o ducto pancreático, ou pela presença de fragmentos tumorais que bloqueiam o fluxo de enzimas pancreáticas.
A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM ou MRCP) é o exame de imagem de escolha para avaliar lesões císticas pancreáticas e sua comunicação com o sistema ductal, sendo fundamental para o diagnóstico de IPMN.
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