Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Uma paciente de sessenta anos de idade, G6P4A2, queixa-se de prurido vulvar há cerca de dois anos. Exame ginecológico: lesão hipopigmentada de 2 cm no terço médio do grande lábio esquerdo. Foi realizada uma biópsia da lesão, cujo diagnóstico foi o de NIV diferenciada. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que a terapêutica recomendada é o(a)
NIV diferenciada tem alto risco de progressão para carcinoma invasivo → excisão cirúrgica com margens.
A Neoplasia Intraepitelial Vulvar (NIV) diferenciada é uma lesão pré-maligna com alto potencial de progressão para carcinoma espinocelular invasivo, especialmente em pacientes mais velhas e associada a condições como líquen escleroso. A conduta padrão é a excisão cirúrgica com margens adequadas.
A Neoplasia Intraepitelial Vulvar (NIV) é uma lesão precursora do carcinoma espinocelular da vulva. Tradicionalmente, a NIV era classificada em graus (NIV 1, 2, 3), mas a classificação atual da Sociedade Internacional para o Estudo da Doença Vulvovaginal (ISSVD) a divide em NIV usual (associada ao HPV) e NIV diferenciada (não associada ao HPV). A NIV diferenciada é menos comum, mas clinicamente mais agressiva, com um risco significativamente maior de progressão para carcinoma espinocelular invasivo. A NIV diferenciada geralmente afeta mulheres mais velhas, frequentemente em associação com dermatoses inflamatórias crônicas da vulva, como o líquen escleroso. Clinicamente, pode se apresentar como lesões hiperceratóticas, eritematosas ou, como no caso, hipopigmentadas, muitas vezes acompanhadas de prurido crônico. O diagnóstico definitivo é histopatológico, obtido por biópsia. A identificação da NIV diferenciada é crucial devido ao seu alto potencial de malignidade. A conduta terapêutica para a NIV diferenciada é a excisão cirúrgica com margens livres. Diferente da NIV usual, que pode ser tratada com terapias ablativas ou tópicas em casos selecionados, a NIV diferenciada exige uma abordagem mais agressiva devido ao seu comportamento biológico. A excisão com bisturi, garantindo margens cirúrgicas adequadas, é fundamental para prevenir a recorrência e a progressão para carcinoma invasivo. O seguimento rigoroso é essencial, dada a possibilidade de lesões multicêntricas ou recorrência.
A NIV usual está associada ao HPV e afeta mulheres mais jovens, enquanto a NIV diferenciada não está associada ao HPV, ocorre em mulheres mais velhas e tem maior risco de progressão para carcinoma espinocelular invasivo, frequentemente associada a líquen escleroso.
A excisão com margens garante a remoção completa da lesão pré-maligna, minimizando o risco de recorrência e de progressão para câncer invasivo, que é alto nesse subtipo.
O líquen escleroso e outras dermatoses inflamatórias crônicas da vulva são frequentemente associadas à NIV diferenciada, sendo importantes fatores de risco para o desenvolvimento de carcinoma espinocelular.
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