Neoplasia Intraepitelial Endometrial: Conduta Pós-Menopausa

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente com 58 anos, menopausa aos 51 anos, com sangramento vaginal em pequena monta, quase diário há 30 dias. Nega outras queixas. Não faz terapia hormonal. Exame físico sem alterações significativas. Foi solicitado ultrassonografia que mostrou útero medindo 80x50x40mm, lesão nodular com sombra acústica, medindo 30x20mm intramural na parede posterior, compatível com Leiomioma calcificado. Endométrio medindo 9 mm. Ovários não visualizados. Realizado, então, histeroscopia com biópsia. Biópsia compatível com neoplasia intraepitelial endometrial. Qual a conduta recomendada?

Alternativas

  1. A) Histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral.
  2. B) Ablação endometrial por histeroscopia.
  3. C) Conização.
  4. D) Tratamento com progesterona micronizada.
  5. E) Embolização da artéria uterina.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + Neoplasia Intraepitelial Endometrial (EIN) → Histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral.

Resumo-Chave

A neoplasia intraepitelial endometrial (EIN), anteriormente conhecida como hiperplasia endometrial atípica, é uma lesão precursora do adenocarcinoma endometrial. Em mulheres pós-menopausa, especialmente com sangramento e espessamento endometrial, a presença de EIN na biópsia indica um alto risco de progressão para câncer ou coexistência de câncer, justificando a histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral como tratamento definitivo.

Contexto Educacional

O sangramento pós-menopausa é um sintoma que exige investigação imediata, pois pode ser a primeira manifestação de patologias endometriais graves, incluindo lesões pré-malignas e malignas. A Neoplasia Intraepitelial Endometrial (EIN), anteriormente classificada como hiperplasia endometrial atípica, representa um continuum de alterações clonais no endométrio que possuem um alto potencial de progressão para adenocarcinoma endometrial, com um risco de até 40% de coexistência com câncer invasivo ou progressão em até 20 anos. O diagnóstico de EIN é estabelecido por biópsia endometrial, geralmente após a detecção de espessamento endometrial em ultrassonografia transvaginal em pacientes com sangramento pós-menopausa. A idade da paciente, o status menopausal e o desejo de preservar a fertilidade são fatores cruciais na decisão terapêutica. Em mulheres pós-menopausa, como no caso apresentado, a preservação da fertilidade não é uma preocupação, e o risco de malignidade é elevado. A conduta recomendada para EIN em pacientes pós-menopausa é a histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral. Este procedimento oferece o tratamento definitivo, removendo o útero e os ovários, eliminando o risco de progressão para câncer endometrial e a possibilidade de câncer ovariano futuro. Opções conservadoras com progestágenos podem ser consideradas em casos muito selecionados de pacientes jovens que desejam engravidar, mas não são a primeira escolha para mulheres pós-menopausa.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do sangramento pós-menopausa?

O sangramento pós-menopausa é um sinal de alerta e deve ser sempre investigado, pois pode indicar condições benignas, mas também lesões pré-malignas ou malignas do endométrio, como a neoplasia intraepitelial endometrial ou o adenocarcinoma.

O que significa Neoplasia Intraepitelial Endometrial (EIN)?

A Neoplasia Intraepitelial Endometrial (EIN) é uma lesão precursora do adenocarcinoma endometrial, caracterizada por alterações clonais no endométrio que aumentam significativamente o risco de progressão para câncer invasivo.

Por que a histerectomia é a conduta recomendada para EIN em pós-menopausa?

A histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral é a conduta recomendada devido ao alto risco de progressão da EIN para adenocarcinoma endometrial e à possibilidade de câncer coexistente, especialmente em mulheres pós-menopausa que não desejam preservar a fertilidade.

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