CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Paciente que teve resultado de exame anatomopatológico de biópsia incisional classificado como "ceratose actínica de conjuntiva" apresenta maior risco de desenvolver:
Ceratose actínica conjuntival = Lesão precursora → Carcinoma Espinocelular (CEC).
A ceratose actínica é uma lesão pré-maligna induzida por radiação UV, representando o estágio inicial da neoplasia escamosa da superfície ocular, com risco de progressão para carcinoma espinocelular invasivo.
A ceratose actínica de conjuntiva está inserida no espectro das Neoplasias Escamosas da Superfície Ocular (NESO). Histologicamente, caracteriza-se por desorganização da maturação epitelial, atipia nuclear e hiperceratose. É fundamental que o residente reconheça que, embora seja uma lesão 'in situ' ou precursora, o potencial de invasão local é significativo. O tratamento geralmente envolve a técnica de 'no touch' na exérese cirúrgica, associada à crioterapia nas margens ou uso de quimioterápicos tópicos (como Mitomicina C ou 5-Fluorouracil) para reduzir as taxas de recorrência, que podem ser altas se as margens não forem livres.
A ceratose actínica conjuntival é clinicamente considerada uma forma de Neoplasia Intraepitelial Conjuntival (NIC). Ela representa uma displasia do epitélio escamoso estratificado da conjuntiva, geralmente secundária à exposição crônica à radiação ultravioleta. Sem tratamento ou com progressão da instabilidade genômica celular, essa displasia rompe a membrana basal, evoluindo para o carcinoma espinocelular (CEC) invasivo. Portanto, o diagnóstico histopatológico de ceratose actínica exige monitoramento rigoroso ou exérese completa para prevenir a transformação em neoplasia invasiva.
O diagnóstico diferencial inclui o pterígio, a pinguécula e o melanoma de conjuntiva. Ao contrário do pterígio, que é uma proliferação fibrovascular benigna, a ceratose actínica apresenta-se frequentemente como uma placa leucoplásica (esbranquiçada) e elevada, com superfície irregular. A biópsia incisional ou excisional com exame anatomopatológico é o padrão-ouro para confirmar a atipia celular e excluir a invasão da membrana basal, o que a diferenciaria do carcinoma espinocelular já estabelecido.
O principal fator etiológico é a exposição prolongada e cumulativa à radiação ultravioleta (UVB), o que explica a maior incidência em pacientes que vivem em latitudes baixas ou que trabalham expostos ao sol. Outros cofatores importantes incluem a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os tipos 16 e 18, estados de imunossupressão (como em pacientes com HIV/AIDS) e fenótipos de pele clara (Fitzpatrick I e II). O manejo envolve proteção ocular contra raios UV e tratamento cirúrgico ou tópico dependendo da extensão.
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