Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Mulher de 35 anos realiza citologia oncótica com resultado de NIC 2. Qual é a conduta recomendada?
NIC 2 ou 3 em pacientes ≥ 25 anos (não gestantes) → Tratamento excisional (EZT ou Conização).
O NIC 2 é classificado como uma lesão precursora de alto grau. Em mulheres fora da faixa etária de exceção (jovens), a conduta padrão é a excisão da zona de transformação.
A Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) é dividida em graus de acordo com a proporção do epitélio acometido por atipias celulares. A NIC 2 caracteriza-se pelo envolvimento de dois terços da espessura epitelial. No sistema Bethesda, tanto a NIC 2 quanto a NIC 3 são agrupadas como Lesões Intraepiteliais Escamosas de Alto Grau (HSIL), devido ao risco significativo de evolução para câncer invasor se não tratadas. O manejo clínico baseia-se na idade da paciente, paridade e desejo reprodutivo. Para mulheres de 35 anos, como no caso, a conduta padrão é a excisão. O seguimento pós-tratamento é fundamental e geralmente envolve a realização de citologia e colposcopia (ou teste de HPV) em intervalos semestrais no primeiro ano, retornando ao rastreio citológico anual se os resultados forem negativos.
A NIC 1 (baixo grau) geralmente representa uma infecção transitória pelo HPV e tem alta taxa de regressão espontânea, sendo a conduta preferencial a observação com repetição da citologia. Já a NIC 2 (alto grau) possui um potencial maior de progressão para carcinoma invasor. Por isso, as diretrizes recomendam tratamento ativo, geralmente por métodos excisionais, para remover a lesão e permitir uma avaliação histopatológica completa das margens e do canal cervical.
A observação conservadora na NIC 2 é uma opção aceitável apenas em populações específicas, como mulheres jovens (geralmente menores de 25 anos) ou gestantes. Nessas pacientes, o risco de progressão imediata é menor e a taxa de regressão é maior, permitindo o acompanhamento citológico e colposcópico rigoroso a cada 6 meses para evitar procedimentos excisionais que possam comprometer o futuro obstétrico (como incompetência istmocervical).
A conização, ou excisão da zona de transformação (EZT), é um procedimento cirúrgico que remove um fragmento em formato de cone do colo do útero. Pode ser realizada por bisturi a frio ou por Cirurgia de Alta Frequência (CAF). A principal vantagem é ser diagnóstica e terapêutica simultaneamente, pois permite avaliar a totalidade da lesão, descartar invasão oculta e verificar se as margens da peça cirúrgica estão livres de doença.
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