UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021
Mulher, 47 anos, compareceu à consulta com laudo do preventivo: “lesão intraepitelial de alto grau (H-SIL)”. Foi solicitada colposcopia com biópsia, cujo resultado foi “neoplasia intraepitelial grauII. (NIC II)”. A paciente deseja histerectomia total pois não quer ficar fazendo exames e quer ficar “livre do câncer de colo uterino”. Qual a conduta?
NIC II/H-SIL → Conização é tratamento padrão, histerectomia não é primeira linha.
Diante de um diagnóstico de NIC II (Neoplasia Intraepitelial Cervical grau II) ou H-SIL (Lesão Intraepitelial de Alto Grau), a conduta padrão é a conização, um procedimento que remove a área afetada do colo uterino, sendo mais conservador que a histerectomia total.
O manejo de lesões intraepiteliais cervicais de alto grau (H-SIL no preventivo, NIC II/III na biópsia) é um tópico central na ginecologia e oncologia. A detecção precoce dessas lesões, geralmente associadas à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), é crucial para prevenir o câncer de colo uterino invasivo. Após um resultado de H-SIL no Papanicolau, a colposcopia com biópsia é indispensável para confirmar a extensão e o grau da lesão. Para NIC II, a conduta padrão e mais conservadora é a conização (excisão da zona de transformação), que pode ser realizada por alça diatérmica (CAF) ou a frio (cirurgia de cone). Este procedimento visa remover a lesão com margens livres, preservando a função reprodutiva da paciente. A histerectomia total, embora seja uma opção para pacientes que não desejam mais gestar e com outras indicações ginecológicas, não é o tratamento de primeira linha para NIC II isoladamente, sendo considerada um tratamento excessivo para uma lesão pré-maligna. O acompanhamento pós-tratamento é fundamental para monitorar a recorrência e garantir a cura.
H-SIL (High-grade Squamous Intraepithelial Lesion) é a terminologia citopatológica do Papanicolau, indicando lesão de alto grau. NIC II (Neoplasia Intraepitelial Cervical grau II) é a terminologia histopatológica da biópsia, confirmando uma lesão pré-maligna moderada a grave no colo uterino.
A conização é o tratamento de escolha para NIC II porque permite a remoção completa da lesão com margens livres, preservando o útero e a fertilidade da paciente. É um procedimento eficaz para prevenir a progressão para câncer invasivo.
A histerectomia total não é a primeira linha para NIC II. Ela pode ser considerada em casos muito específicos, como falha de tratamentos conservadores repetidos, margens comprometidas persistentes após conização, ou quando a paciente já tem indicação para histerectomia por outras patologias ginecológicas e não deseja mais gestar.
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