Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Mulher, 76 anos compareceu ao ambulatório de ginecologia queixando-se de bola na vagina há alguns anos. Ao exame apresenta prolapso uterino total. Realizam-se os exames pré-operatórios para a programação do tratamento cirúrgico, onde se verificou citologia oncológica com lesão intraepitelial escamosa de alto grau. A colposcopia com biópsia dirigida relevou neoplasia intraepitelial grau 2 (NIC 2) e atípicas coilocitóticas. Assinale a melhor conduta subsequente e os prováveis tipos de agentes associados a esta condição:
NIC 2 em idosa com prolapso → Conização cervical + HPV 16/18 são os principais agentes.
Lesões intraepiteliais de alto grau (NIC 2/3) são causadas principalmente por HPV de alto risco (16 e 18) e requerem tratamento excisional, como a conização cervical, mesmo em pacientes idosas com outras comorbidades como prolapso.
A Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) é uma lesão pré-cancerosa do colo do útero, classificada em NIC 1 (baixo grau), NIC 2 e NIC 3 (alto grau). As lesões de alto grau, como a NIC 2, têm um risco significativo de progressão para câncer invasivo se não tratadas. A principal causa é a infecção persistente por tipos de alto risco do Vírus do Papiloma Humano (HPV), sendo os tipos 16 e 18 os mais prevalentes. O diagnóstico é feito através da citologia oncótica (Papanicolau), colposcopia e biópsia dirigida, que confirma o grau da lesão. A presença de coilocitose é um achado citopatológico característico da infecção por HPV. A idade da paciente e a presença de outras condições, como o prolapso uterino, são fatores a serem considerados no plano terapêutico, mas não modificam a necessidade de tratar a lesão cervical. A conduta para NIC 2 e NIC 3 é geralmente excisional, com a conização cervical sendo o tratamento de escolha. Este procedimento remove a zona de transformação do colo do útero, onde as lesões se desenvolvem, permitindo a remoção da lesão e a avaliação das margens. O acompanhamento pós-tratamento é fundamental para monitorar a recorrência da doença.
Os tipos de HPV de alto risco, principalmente o HPV 16 e o HPV 18, são responsáveis pela maioria dos casos de lesões intraepiteliais de alto grau e câncer cervical.
A conização cervical é indicada para o tratamento de lesões intraepiteliais de alto grau (NIC 2 e NIC 3) e para a elucidação diagnóstica quando há discordância entre citologia e colposcopia.
O prolapso uterino não altera a conduta primária para a NIC 2, que é a conização. A histerectomia para o prolapso pode ser considerada posteriormente, dependendo da avaliação ginecológica e dos resultados da conização.
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