NIC3 e HSIL: Conduta Inicial e Tratamento Essencial

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 35 anos vem a consulta ginecológica queixando-se de aumento do volume abdominal há 1 ano, associado ao fluxo menstrual aumentado e dismenorreia intensa. G II P0 AII, partos normais. Está há mais de 10 anos sem realizar exames preventivos. Foi solicitado exames que mostraram: Ultrassonografia transvaginal: Útero em anteversoflexão, com volume de 380 cm³, endométrio com 8mm de espessura, anexos sem alterações. Presença de múltiplos nódulos miomatosos subcentimétricos. Colpocitologia oncótica: Lesão intraepitelial de alto grau (HSIL). Colposcopia com biopsia: Neoplasia intraepitelial grau 3 (NIC3). Qual a conduta inicial mais adequada para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Cirurgia de Wertheim Meigs.
  2. B) Histerectomia total abdominal.
  3. C) Miomectomia.
  4. D) Cirurgia de alta frequência (exérese da zona de transformação).

Pérola Clínica

NIC3 (HSIL) = conduta inicial é exérese da zona de transformação (CAF/LEEP).

Resumo-Chave

Diante de um diagnóstico de NIC3 (Neoplasia Intraepitelial Cervical Grau 3) confirmado por biópsia, a conduta inicial mais adequada é o tratamento excisional da lesão, como a Cirurgia de Alta Frequência (CAF) ou LEEP, para prevenir a progressão para câncer invasivo.

Contexto Educacional

A Neoplasia Intraepitelial Cervical Grau 3 (NIC3), correspondente à Lesão Intraepitelial Escamosa de Alto Grau (HSIL) na citologia, representa uma condição pré-maligna de alta importância na ginecologia. Sua detecção e tratamento adequados são cruciais para a prevenção do câncer de colo uterino invasivo. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco, como a idade (35 anos), história obstétrica e, principalmente, a ausência de exames preventivos por mais de 10 anos, o que aumenta significativamente o risco de lesões avançadas. O diagnóstico de HSIL na colpocitologia exige uma colposcopia com biópsia dirigida para confirmar a extensão e o grau da lesão, como o NIC3. Uma vez confirmado o NIC3, a conduta inicial mais adequada é a excisão da zona de transformação, que pode ser realizada por meio da Cirurgia de Alta Frequência (CAF) ou LEEP (Loop Electrosurgical Excision Procedure). Este procedimento remove a área afetada, permitindo a cura e a prevenção da progressão para câncer invasivo, além de fornecer material para análise histopatológica definitiva das margens. Embora a paciente também apresente miomas uterinos sintomáticos, a prioridade no manejo é a lesão pré-maligna cervical devido ao seu potencial de malignidade. O tratamento dos miomas pode ser planejado após a resolução da NIC3, considerando a gravidade dos sintomas, o desejo de preservar o útero e a resposta a terapias conservadoras. Residentes devem ser capazes de estratificar a urgência das condições e priorizar o tratamento de lesões com potencial oncológico.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre HSIL e NIC3?

HSIL (High-grade Squamous Intraepithelial Lesion) é o termo citopatológico da colpocitologia oncótica (Papanicolau), enquanto NIC3 (Neoplasia Intraepitelial Cervical Grau 3) é o termo histopatológico da biópsia, ambos indicando uma lesão pré-maligna de alto grau no colo uterino.

Por que a CAF é a conduta inicial para NIC3?

A Cirurgia de Alta Frequência (CAF), ou LEEP, é a conduta inicial para NIC3 porque permite a exérese da zona de transformação, removendo a lesão pré-maligna e prevenindo sua progressão para câncer invasivo, além de fornecer material para análise histopatológica completa.

Como os miomas uterinos devem ser abordados neste caso?

Os miomas uterinos, embora sintomáticos, não representam uma urgência oncológica como a NIC3. Após o tratamento da lesão cervical, os miomas podem ser avaliados e manejados de forma conservadora ou cirúrgica (miomectomia ou histerectomia), dependendo da gravidade dos sintomas e do desejo reprodutivo da paciente.

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