NIC III: Conização ou Histerectomia? Entenda a Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 45 anos, G2P2, retorna ao ambulatório de ginecologia do hospital escola para o resultado da biópsia de colo uterino realizada há 20 dias. A biópsia evidenciou NIC III, sendo a paciente informada pela residente que ela terá que realizar uma conização do colo uterino para remoção da lesão e prevenção do câncer. Após as explicações, a paciente solicita que já se faça histerectomia para evitar problemas futuros. Diante da solicitação da paciente, a médica deverá informar que a

Alternativas

  1. A) histerectomia é um procedimento mais indicado do que a conização, por se tratar de um tumor in situ.
  2. B) histerectomia é um procedimento mais indicado do que a conização, já que a paciente tem prole constituída.
  3. C) conização é um procedimento menos invasivo e necessário para afastar a hipótese de microinvasão pelo tumor.
  4. D) conização é um procedimento menos invasivo e suficiente para o tratamento da paciente, uma vez que se trata de um tumor in situ.

Pérola Clínica

NIC III: Conização é tratamento padrão e essencial para excluir microinvasão, sendo menos invasiva que histerectomia.

Resumo-Chave

A conização é o tratamento de escolha para NIC III, pois permite a excisão da lesão e, crucialmente, a análise histopatológica das margens e do espécime para descartar a presença de microinvasão ou câncer invasivo oculto, o que não seria possível com uma histerectomia primária sem essa avaliação.

Contexto Educacional

A Neoplasia Intraepitelial Cervical Grau III (NIC III) representa uma lesão pré-maligna de alto grau, caracterizada pela displasia que acomete toda a espessura do epitélio cervical sem ultrapassar a membrana basal. É um estágio crucial na progressão para o câncer invasivo de colo uterino, sendo seu diagnóstico e tratamento adequados fundamentais na prevenção da doença. A identificação precoce através do rastreamento citopatológico e colposcopia com biópsia é essencial. O tratamento padrão para NIC III é a excisão da zona de transformação, geralmente por conização (excisão eletrocirúrgica com alça - LEEP/CAF ou conização a frio). Este procedimento permite a remoção completa da lesão e, mais importante, a análise histopatológica do espécime para descartar a presença de microinvasão ou câncer invasivo oculto, que mudaria drasticamente a conduta. A histerectomia primária não é a primeira escolha, pois é mais invasiva e não permite essa avaliação diagnóstica crucial da profundidade da lesão. Após a conização, o acompanhamento rigoroso é necessário para monitorar a recorrência da lesão. A decisão pela histerectomia pode ser considerada em situações específicas, como em pacientes com prole constituída que não desejam mais gestar, lesões extensas ou margens comprometidas persistentes após conização, ou quando há outras indicações ginecológicas concomitantes. A preservação da fertilidade e a minimização da morbidade são sempre prioritárias na escolha do tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre NIC III e câncer de colo uterino?

NIC III é uma lesão pré-maligna de alto grau, onde as células anormais ocupam toda a espessura do epitélio, mas sem invadir a membrana basal. O câncer de colo uterino ocorre quando essas células invadem o estroma subjacente.

Por que a conização é preferível à histerectomia para NIC III?

A conização é preferível por ser um procedimento menos invasivo que preserva o útero e a fertilidade, além de permitir a análise histopatológica completa da lesão para descartar microinvasão ou câncer invasivo, o que é fundamental para o estadiamento e tratamento.

Quando a histerectomia pode ser considerada para NIC III?

A histerectomia pode ser considerada em casos selecionados de NIC III, como em pacientes com prole constituída que não desejam mais gestar, com lesões extensas ou margens comprometidas persistentes após conização, ou quando há outras indicações ginecológicas concomitantes.

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