FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2020
Mulher de 50 anos, GIII PIII é encaminhada pelo SISREG ao ambulatório de patologia cervical com laudo citopatológico de NIC III. A colposcopia evidenciou vasos atípicos. Realizado biópsia dirigida com laudo histopatológico de microinvasão. A conduta preconizada, nesse caso, é:
NIC III com microinvasão → conização a frio para diagnóstico e tratamento.
A microinvasão em lesões cervicais, mesmo que mínimas, requer uma abordagem terapêutica e diagnóstica mais robusta que a NIC III pura. A conização a frio permite a remoção de um cone de tecido cervical para avaliação histopatológica completa das margens e profundidade da invasão, sendo tanto diagnóstica quanto terapêutica.
A Neoplasia Intraepitelial Cervical Grau III (NIC III) representa uma lesão precursora de alto grau para o carcinoma cervical invasor. Quando o laudo histopatológico de uma biópsia dirigida revela microinvasão, a situação adquire uma nova complexidade, pois indica a presença de um carcinoma cervical em estágio inicial (IA1). A microinvasão é definida pela invasão do estroma cervical em profundidade limitada, sem invasão de vasos linfáticos ou sanguíneos. A colposcopia com evidência de vasos atípicos é um sinal de alerta para lesões de alto grau ou invasivas. A biópsia dirigida é fundamental para confirmar o diagnóstico histopatológico. Uma vez confirmada a microinvasão, a conduta terapêutica deve ser precisa e adequada para erradicar a doença e garantir a avaliação completa da extensão da invasão. Nesse cenário, a conização a frio (cirurgia de conização com bisturi frio) é a conduta preconizada. Este procedimento permite a remoção de um cone de tecido cervical que inclui a zona de transformação e parte do canal endocervical. A conização a frio oferece uma amostra histopatológica de alta qualidade, essencial para a avaliação precisa das margens cirúrgicas e da profundidade da invasão, garantindo que a lesão foi completamente excisada e confirmando o estadiamento. Em casos selecionados de microinvasão IA1 com margens livres, a conização pode ser curativa, evitando procedimentos mais radicais como a histerectomia.
Microinvasão refere-se à invasão do estroma cervical por células neoplásicas em profundidade limitada (geralmente < 3-5 mm), sem invasão vascular ou linfática, caracterizando um carcinoma cervical estágio IA1.
A conização a frio permite uma amostra de tecido maior e com menos artefatos térmicos do que a LEEP, facilitando a avaliação precisa das margens cirúrgicas e da profundidade da invasão, crucial para o estadiamento e prognóstico.
Os riscos incluem sangramento, infecção, estenose cervical, incompetência istmocervical (com risco de parto prematuro em futuras gestações) e, raramente, perfuração uterina.
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