Conduta na Lesão Intraepitelial de Alto Grau (NIC 3)

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 30 anos, G2 P2 (2 partos vaginais), procura Unidade Básica de Saúde por queixa de dor abdominal em baixo ventre há um mês e foi colhido seu primeiro exame de citologia cervical convencional. O resultado da citologia oncótica revelou uma lesão intraepitelial de alto grau de colo de útero (NIC 3). O próximo passo para o diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Colher PCR para HPV com genotipagem.
  2. B) Encaminhar para colposcopia e provável biópsia.
  3. C) Conização de colo de útero por cirurgia de alta frequência (CAF).
  4. D) Aguardar 6 meses e realizar nova coleta de citologia oncótica.

Pérola Clínica

HSIL/NIC 3 na citologia → Colposcopia + Biópsia (não tratar sem confirmação histológica).

Resumo-Chave

Achados citológicos de alto grau (HSIL) exigem avaliação colposcópica imediata para mapear a lesão e realizar biópsia dirigida, confirmando o diagnóstico histológico antes de qualquer procedimento excisional.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de colo de útero no Brasil baseia-se na citologia cervical. Quando o resultado aponta Lesão Intraepitelial de Alto Grau (HSIL), que corresponde histologicamente ao NIC 2 ou NIC 3, a paciente entra em uma via de investigação diagnóstica obrigatória. O objetivo primordial é excluir o carcinoma invasor e mapear a extensão da doença pré-maligna. A colposcopia atua como a ponte entre o rastreio e o tratamento. Durante o exame, o uso de ácido acético e solução de Schiller (Teste de Schiller) ajuda a identificar áreas de maior atividade proteica e glicogênio reduzido, respectivamente. Áreas acetobrancas densas e pontilhados grosseiros são indicativos de alto grau, direcionando a biópsia para o local de maior gravidade. Somente após o laudo histopatológico da biópsia é que se decide entre a observação (em casos selecionados de NIC 2 em jovens) ou a excisão da zona de transformação (EZT/CAF).

Perguntas Frequentes

Por que não realizar a conização imediatamente após um resultado de NIC 3 na citologia?

Embora a citologia de alto grau (HSIL/NIC 3) tenha um alto valor preditivo positivo, a conduta padrão ouro exige a confirmação histológica por biópsia dirigida por colposcopia antes de procedimentos excisionais. A colposcopia permite avaliar a extensão da lesão, identificar a zona de transformação e descartar invasão oculta. O tratamento imediato ('see and treat') é reservado para casos muito específicos onde a correlação cito-colposcópica é absoluta e a paciente tem baixa probabilidade de seguimento, o que não é a regra geral nos protocolos do Ministério da Saúde e da FEBRASGO para pacientes jovens sem prole definida.

Qual a diferença entre HSIL na citologia e NIC 3 na histologia?

HSIL (High-grade Squamous Intraepithelial Lesion) é uma nomenclatura citopatológica (Bethesda) que sugere a presença de alterações celulares graves. Já NIC 3 (Neoplasia Intraepitelial Cervical grau 3) é um diagnóstico histopatológico obtido via biópsia ou peça cirúrgica, englobando o carcinoma in situ. A citologia é um teste de rastreio com sensibilidade variável, enquanto a histologia é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo e planejamento terapêutico, diferenciando lesões pré-invasoras de câncer invasor.

Quais são os critérios para uma colposcopia satisfatória?

Uma colposcopia é considerada satisfatória quando a junção escamo-colunar (JEC) é visualizada em sua totalidade (360 graus). Se a JEC estiver dentro do canal endocervical e não puder ser visualizada, a colposcopia é insatisfatória, o que pode exigir avaliação complementar do canal (como curetagem endocervical ou avaliação com espéculo de Kogan) para excluir lesões não visíveis ao exame ectocervical.

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