UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025
Paciente O.M.S., sexo masculino, tabagista e alcoolista, evoluindo com disfagia para sólidos, progredindo para líquidos com perda de 10% do seu peso no último mês. Em relação ao caso, é correto afirmar:
Disfagia progressiva + perda de peso + fatores de risco (tabagismo, alcoolismo) = Alta suspeita de câncer de esôfago.
A disfagia progressiva para sólidos e depois líquidos, associada à perda de peso e fatores de risco como tabagismo e alcoolismo, é um sinal de alerta para neoplasia de esôfago. A investigação diagnóstica deve ser imediata, focando na confirmação histológica e estadiamento completo, com atenção ao suporte nutricional.
O câncer de esôfago é uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à natureza insidiosa de seus sintomas iniciais. A epidemiologia varia geograficamente, mas fatores de risco como tabagismo, alcoolismo, esôfago de Barrett e acalasia são bem estabelecidos. A importância clínica reside na alta morbimortalidade e na necessidade de um diagnóstico precoce para melhores desfechos. A fisiopatologia envolve a transformação maligna das células do esôfago, sendo os tipos histológicos mais comuns o adenocarcinoma (associado ao esôfago de Barrett e refluxo gastroesofágico) e o carcinoma espinocelular (associado a tabagismo e alcoolismo). A disfagia progressiva é o sintoma cardinal, indicando obstrução significativa. O diagnóstico é estabelecido por endoscopia digestiva alta com biópsias. O estadiamento completo, utilizando tomografias (pescoço, tórax, abdome), PET-CT e ultrassonografia endoscópica, é crucial para definir a extensão da doença e guiar o tratamento. O tratamento é multimodal e depende do estágio da doença, tipo histológico e condições clínicas do paciente. Pode incluir cirurgia (esofagectomia), quimioterapia, radioterapia e, mais recentemente, imunoterapia. O suporte nutricional hiperproteico e hipercalórico é vital desde o diagnóstico, pois a desnutrição é comum e impacta negativamente a tolerância ao tratamento e o prognóstico. A decisão terapêutica deve ser discutida em equipe multidisciplinar.
Os principais sinais de alerta incluem disfagia progressiva (primeiro para sólidos, depois para líquidos), perda de peso inexplicada, dor retroesternal, odinofagia, rouquidão e anemia. Fatores de risco como tabagismo e alcoolismo aumentam a suspeita.
O suporte nutricional é fundamental para pacientes com câncer de esôfago, que frequentemente apresentam desnutrição devido à disfagia e ao catabolismo tumoral. Uma nutrição adequada melhora a tolerância ao tratamento, a qualidade de vida e o prognóstico.
O estadiamento envolve endoscopia com biópsia, tomografias de pescoço, tórax e abdome, e frequentemente PET-CT para avaliar metástases. Ultrassonografia endoscópica (USE) é crucial para avaliar a profundidade da invasão tumoral e linfonodos regionais.
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